Teresa d’Ávila

Jesus: “Crê, minha filha! A quem meu Pai mais ama, maiores trabalhos dá, de acordo com a grandeza do amor que tem por ti. Em que te posso melhor mostrar minha ternura do que em escolher para ti o que para mim escolhi?

Olha estas chagas. Nunca serão iguais às tuas dores.

 É este o caminho da verdade. Seguindo-o, me ajudarás a deplorar a perdição em que andam os do mundo” (Relações, 36).

Em quarenta anos pôde na verdade, dizer que jamais passou um dia sem dores e diversos padecimentos (Moradas, 6,1,7).

“Uma pessoa, (Sta. Teresa mesma) rezava muito aflita diante do crucificado, considerando como nunca tivera nada que dar a Deus nem que renunciar por ele.

Disse-lhe o mesmo Crucificado, consolando-a, que ele lhe fazia entrega de todos os trabalhos e dores que havia passado na paixão. Portanto, que os tivesse por próprios e os oferecesse ao seu Pai. Ficou tão rica e consolada aquela alma!” (Moradas, 6,5,6).

“Ponde os olhos no Crucificado, e tudo vos parecerá pouco. Se sua majestade nos mostrou seu amor com obras e tormentos tão estupendos, como quereis vós contentá-lo só com palavras?

Sabeis como seremos verdadeiramente espirituais? Fazendo-nos escravas de Deus, marcadas com o ferro de sua cruz; dando-lhe toda a nossa liberdade, para que todo o mundo nos possa vender como escravos, como ele o foi.

Pois, com isto, nos faz nenhum agravo; ao contrário, é não pequena mercê (Moradas, 7,4,8).

“Não temos vergonha de querer gostos na oração e de prorromper em queixas por causa das securas? Jamais vos aconteça isto, irmãs! Abraçai-vos à cruz que vosso esposo levou às costas, e convencei-vos que esta há de ser a vossa empresa.

 A que mais puder padecer, padeça mais por ele. Caberá a esta, a melhor parte” (Moradas, 2,7).

Desde moça, ainda no mundo, Teresa tinha o costume de meditar a agonia no Horto, antes de dormir. “Tenho para mim que minha alma ganhou muito” (Vida, 9,4).

Anos mais tarde Jesus se queixa: “Ah, filha, quão poucos me amam de verdade! Se me amassem não lhes encobriria eu meus segredos. Sabes o que é amar-me de verdade? É compreender que é mentira tudo quanto não me agrada” (Vida, 40,2).

“Nas minhas preces tinha receio de não ser atendida por causa dos meus pecados. Apareceu-me o Senhor e começou a mostrar-me a chaga da mão esquerda e com a outra mão tirava um grande cravo que nela estava metido.

Parecia-me que, junto com o cravo, arrancava também alguma carne e deixava ver sua grande dor… Disse-me: quem tinha passado aquilo por meu amor, sem dúvida faria o que eu lhe dissesse e pedisse… não duvidasse eu de suas promessas” (Vida, 39,1).

Teologia das Realidades Celestes

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