Margarida Alacoque, +1690

Jesus apareceu-lhe, segurando em cada mão um quadro.

 Num, via a vida mais feliz que uma religiosa possa imaginar e desejar: paz, consolações internas e externas, saúde, estima, amizades.

 O outro quadro representava uma existência pobre, humilde, desprezada, com cruzes contínuas, humilhações e contradições de toda espécie, com sofrimentos contínuos do corpo e da alma.

Jesus mandou escolher a gosto e à vontade.

“Qualquer que for tua escolha, receberás as mesmas graças”.

Margarida recusa-se a escolher: “Só quero a tua vontade, ó Jesus!” Jesus insiste diversas vezes, declarando-se indiferente.

Por fim, falou: “Está bem. Maria escolheu a melhor parte. Eu mesmo desejo ser tua herança”.

E entregou o quadro doloroso. “Eis o que escolhi para ti… para te tornar semelhante a mim; o outro é uma vida de gozo e não de méritos; fica para a eternidade”…

Margarida abraçou o quadro, apertou-o ao coração, sem deixar de sentir um frêmito de temor.

Numa outra vez, contemplando Jesus na Cruz, Jesus a abraça fortemente: “Recebe esta cruz e planta-a no teu coração.

Tem-na sempre perante os olhos, e carrega-a em teus braços…

Terás fome e sede sem ser saciada.

Terás ardor, sem alívio”.

“Dar-te-ei este Coração, diz-lhe Jesus, mas antes deves entregar-te como vítima”.

Margarida sente pavor e receia dizer sim. Uma visão mostrou-lhe então, a justiça divina armada para o castigo.

“Eu ter-me-ia contentado, diz Jesus, com um sacrifício secreto. Mas agora, quero um público. Serás humilhada a ponto de ficar envergonhada para todo o resto de tua vida. Quero mostrar-te o que significa resistir a Deus”.

Vendo Jesus prestes a descarregar o castigo da justiça divina sobre as almas, Margarida intercede.

Jesus cede no fim, mas: “Contanto que tu me pagues”. Margarida:

“Sim, de bom grado. Mas eu pago só com teus próprios bens, com os tesouros de teu Coração”.

Jesus concordou.

Certa vez, Jesus lhe diz: “Irei colocar uma cruz dura e pesada sobre teus fracos ombros. Mas sou bastante poderoso para te sustentar. Não temas. Deixa-me agir”.

A trinta e um de dezembro de 1678, Jesus exige uma doação total, mas por testamento e por escrito. Margarida gravou com um canivete o nome de Jesus sobre o peito, e assinou com seu sangue derramado o documento exigido. Jesus retribuiu-lhe declarando-a herdeira dos tesouros do seu Coração, com poder de dispor de tudo.

A resposta foi celestial. “Tudo quanto se pode chamar gosto e prazer, tornou-se sofrimento para mim”, diz Margarida. É o conhecido estribilho: “Dios solo”.

Seja lembrado que Margarida levava a ferida do amor no coração, invisível, mas sempre dolorida.

Teologia das Realidades Celestes

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