Míriam de Abellin, +1878

Nascida de pais pobres, greco-católicos, numa pequenina, paupérrima aldeia da Galiléia, a quinze quilômetros de Nazaré. Órfã de pai e mãe aos três anos. Entre cinco e sete anos ouve o primeiro convite de Jesus: “Se quiseres dar-me teu coração, ficarei sempre contigo”.

Desde os cinco anos jejua todos os sábados, em honra da Virgem, até a hora do jantar. A partir dos sete anos, confessa e comunga todos os sábados.

A família do seu tio-tutor muda-se para Alexandria, no Egito. Com paterna bondade, o tio arranja-lhe um casamento aos treze anos. Mas Míriam quer ficar virgem; corta suas tranças e permanece firme, apesar do conselho do confessor e de um bispo.

Jantando certo dia numa família amiga, mas muçulmana, recusa o convite de passar à religião de Maomé. O homem enfurece-se de tal modo, que a maltrata com pontapés, e no fim corta-lhe o pescoço, jogando seu corpo numa rua deserta.

Uma religiosa de hábito azul (Nossa Senhora) fez-se sua enfermeira, numa gruta abandonada, durante quatro semanas; predisse a viagem à França, o ingresso no Carmelo, e sua morte em Belém da Palestina.

Míriam contou que passou várias horas no céu. Mas por fim, surgiu um anjo a dizer-lhe: “És virgem, sim, mas tua agenda não está terminada”.

E ela acordou numa gruta, tendo a seu lado a religiosa vestida de azul (1856).

Prova da realidade, a larga cicatriz de lado a lado no pescoço.

Passa sete anos como empregada em Alexandria, Jerusalém e Beirute. Vive pobre e dá seu salário aos mais pobres. Em 1853, chega a Marselha como empregada de uma família síria.

Dois meses depois, o primeiro êxtase de duas horas, tido por síncope cardíaca. O segundo durou quatro dias, e neste Deus pediu-lhe que fizesse jejum a pão e água durante um ano.

Vocação religiosa. Mas aos vinte anos, parece uma menina de onze anos. Miudinha, não sabia falar francês; sem dote, a não ser alguns pobres vestidos. Postulante, na congregação de São José, surgem de novo os êxtases.

A superiora proíbe-os, em nome da obediência, e os êxtases dão-se apenas de noite. Estigmatização em 1867, em cada sexta-feira da quaresma.

Míriam pensa que é doença, e das bravas; pensa estar leprosa. Avisa a superiora: “Cuidado, vão pegar minha doença”.

A madre responde: “Muito improvável”. A postulante é recusada na votação, mas é aceita no Carmelo, em 1868.

Míriam vê sua alma sob a figura de uma caixa qcheirava mal, velha, suja, gordurosa. “Estranhei de o reiter pego nesta caixa velha… O rei sorriu: eu gosto desta caixa porque tem um tesouro dentro. Eu, porém, nem a queria tocar, tanto me desgostava!”

Noviciado. Noite do espírito. Jesus conforta-a: “Se soubesses quem te ama!” Possessa durante quarenta dias. Obsessa durante três anos, mas continua estigmatizada, extática, profética. Ainda noviça, parte para a fundação do Carmelo de Mangalore, na Índia.

Faz profissão num êxtase contínuo. Remetida à França um ano depois como “iludida”, porque Deus a queria para a fundação do Carmelo de Belém, Palestina, onde morreu a vinte e seis de agosto de 1878.

Teologia das Realidades Celestes

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