Antonieta de Geuser “Consummata”,+1918

“Eu vi o Coração divino, esse Coração cheio de amor, de méritos e de graças, mas esses méritos e graças não podiam expandir-se.

E eu compreendi, eu vi que estava faltando alguma coisa, um nadinha, um nada, mas faltava, e assim a reparação é impedida e as almas não se salvam. E esse nadinha é o canal pelo qual Deus pode derramar os tesouros infinitos das graças do seu Coração.

“Tu queres ser um desses pequenos nadas? Esses pequenos canais são as almas doadas e consagradas, que só vivem e só rezam para a maior glória de Deus.

Almas que deixam de lado todas as intenções pessoais, e trabalham para as intenções do Coração de Jesus. Não precisam ser almas grandes; basta que sejam doadas sem reserva alguma, abandonadas a Jesus.”

“Toda entregue à vontade de Deus, que ele faça de mim tudo quanto quiser; senti um imenso desejo de sofrer por ele o mais possível…”

“Eu vi o cálice, o seu, e me disse: Minha pequena criaturinha, queres minha riqueza? Conhecendo minha fraqueza à vista dessa imensa dor, e sentindo-me tão indigna de uma graça tão grande, eu hesitava.

 Então ele me falou: É minha vontade que bebas de meu cálice. Diante dessa evidência da vontade divina, eu aceitei com alegria e gratidão, convencida que ele me dará seu auxílio.”

“Ele me prometeu dar o máximo de sofrimento, e consumir-me toda para a sua glória. Falou: Dar-te-ei graças grandes: elas te são necessárias para fortalecer-te para o sofrimento”.

“Após a santa comunhão, Nosso Senhor prometeu dar-me o que há de mais expiatório para a glória do Pai, e eu vi que isto, era o sofrimento. E ele se me revelou na sua agonia, morrendo sem consolação alguma.

Eu tive medo. Não aceitei logo. Eu me sentia pequena demais: eu não podia. Mas depois entendi, visto que ele me convidava e chamava, que ele também estaria aí para ser minha força.”

“Quando eu tinha sete ou oito anos, pedira a Nosso Senhor deixar-me participar de sua agonia. E durante longo tempo sentia-me infeliz; julgava-me condenada ao inferno.

Desde então nunca mais rezei por sofrimentos, embora os desejasse muitas vezes. Mas agora é ele mesmo que pede, e assim posso aceitar como confiança e gratidão”.

“Jesus disse-me: Eu sofri tanto por sentir em mim todas as imundícies da terra… e neste sofrimento ninguém quer acompanhar-me.

 E tu? As almas pedem-me certas virtudes atraentes e bonitas; pedem até mesmo o sofrimento. Mas ninguém se oferece para a humilhação nas humilhações; entrega-te inteiramente à minha vontade…

Pede só a minha vontade. Tu não compreendes o que é a glória do Pai”.

“Jesus fez-me ver um pouco da ofensa feita a Deus por meus pecados. Eu me vi como um horror. Durante o dia inteiro tentei amar-me por amor a ele. Mas não consegui.

Acho fácil amar um pobre repugnante, as pessoas antipáticas… mas amar uma coisa tão suja é difícil… E Jesus me ama…”

“Jesus mostrou-me e: a separação das criaturas… Não me preocupar mais de dar Deus às almas para ele, sem olhar para trás.

 E essa união irá atrair as graças para as almas bem melhor que meus esforços exteriores.”

“Eu vi que ele somente quer sacrificar-me, e que devo deixar Deus fazer, e aceitar tudo.”

“Outro dia Jesus mostrou-me seus sofrimentos e disse-me: Eu te dou todos… Pareceu-me que Cristo se encarnava em mim, a fim de ser sacrificado de novo para a glória da Santíssima Trindade. Enfim, compreendi: “Eu não vivo mais, mas é Cristo que vive em mim” (GI 2,20).

“Não devo ocupar-me em semear apostolado, nem pela palavra, nem pela ação, nem mesmo pelo exemplo.

Devo pensar somente de me “enterrar” sempre mais nele”.

“Fui desapropriada para utilidade pública”.

Teologia das Realidades Celestes