Maria Angélica, OCD, +1919

“Como são divinos estes braços de Jesus… Mas a alma prefere o pão do sofrimento. Tem sede de renúncias.

Fica mais saciada pela dor. A cruz é-lhe mais doce que todas as consolações. Aí ela repousa à vontade. Aí ela diz: mais, mais..

Sente que aí está o pão de sua vida. O sofrimento torna-se o alimento de seu amor. Tem dele uma sede insaciável.

Por que? A fim de dar amor por amor e, de certo modo, por sangue. Pelo sofrimento é que ela ama. Aí encontra tesouros que a fazem preferir esse sofrimento não a coisas vis e desprezíveis, mas aos próprios favores de Jesus”.

“Isto não me impede de sentir o sofrimento, até bem vivamente. Mas em meio de tudo isto, sou feliz. O bom Deus faz-me encontrar a felicidade por toda a parte. É verdade que esta alegria vem dele só, somente dele.

Creio mesmo poder dizer que é ele”.

“Não gosto de pessoas que falam continuamente de sofrimento, crucifixão, esquecimento das criaturas, pois me parece que o amor suporta tudo isto com alegria. Mais ainda: estima como tesouro precioso. Saboreia-se um tesouro a sós, sem divulgar muito por fora” .

“Tantas almas agitam-se nas trevas, atoladas num caos horrível. Eu queria transformá-las todas em almas de luz. Queria não recusar nada a Deus, ainda que para salvar uma só alma. Padeço por vê-las nas trevas.

Vejo só algumas que estão em plena luz. E este número é tão pequeno, que eu bem gostaria de estar enganada. Espetáculo cruel!

O bom Deus fez-me carmelita, salvadora de almas. Felizmente todos os seus méritos são meus. E minha vocação é oferecê-los a seu Pai. E de lá, eles recaem sobre as pobres almas em forma de graças.

E quanto mais Jesus penetra este pequeno e mesquinho instrumento, mais maravilhas realizam-se. E não há limites ao seu poder a não ser o poder de Deus…

Tudo consegue uma carmelita santa. Seu poder não tem limites. Um suspiro, uma palavra de sua parte são suficientes para fazer descer do céu, torrentes de graças sobre as almas. Ó que bem-aventuradas são estas eleitas!…

Uma carmelita deve ter o coração de Deus, infinitamente sensível ao mal das almas. Muitas vezes pede-me para sofrer, e sempre respondi que sim. Já faz treze anos.

Mas agora posso dizer que todo sofrimento é doce para mim. Esse sofrimento é o ouro com o qual compro almas…

Jesus não me quer recusar nada. Ele não é exigente. Muitas vezes contenta-se com minha boa vontade”.

“Jesus diz que um desejo meu basta para tocar seu coração. Ele não me recusa nenhuma alma. Nunca me recusou nada.

Teologia das Realidades Celestes

Anúncios