O peso do pecado

Maria Fidelis sente-se cheia de pecados mortais e não sabe o que acusar na confissão. A “carga” expiada é substituída por outra coleção. Na quarta-feira de cinzas de 1920, sente-se leve e pura como uma criança recém batizada.

Mas só por quinze minutos. E logo recebe nova quota de pecados. Assim continuou nos últimos seis anos, sem interrupção.

Fevereiro de 1921: “Sei que estes pecados não são meus; sinto porém a impressão de merecer o inferno. Mas quero continuar: quero conduzir almas pecadoras a Jesus”.

Por vezes intrometeu-se também o espírito do mal, torturando fisicamente e moralmente a vítima. Apesar de tudo, ela se confessa sempre “perdida em Deus”, o dia todo, tanto no trabalho como na conversação e na oração.

Admirável divisão entre alma e espírito (Hb 4,12).

Maria Salésia Schulten, ursulina, +1920

Jesus: “Por minha graça, agora progrediste tanto que enxergas tua miséria com nitidez, e nada mais de bom atribuís a ti. Conheces agora, com clareza, que sou eu quem age em ti, de modo que agora posso começar a usar-te como meu instrumento como necessito… ser um instrumento dócil, sem vontade própria na mão do Mestre: eis a tua tarefa”.

Josefa Menendez, +1923

“Já que estás disposta a sofrer, soframos juntos”. E Jesus dá-lhe sua cruz, a sua coroa, a chaga do lado e as chagas (invisíveis) nas mãos e pés”.

“Quero que todo o teu ser sofra para ganhar almas.

Josefa, por que me amas?” “Porque és bom”. “E eu te amo porque és miserável e pequena. Eu te revesti dos meus méritos; eu te cobri com meu sangue, para apresentar-te aos eleitos.

 Tua pequenez deixou lugar à minha grandeza; tua miséria e até teus pecados, à minha misericórdia; tua confiança, ao meu amor. Sim, tu dizes bem: sou bom. Para compreender-me falta às almas só uma coisa: união e vida interior. Se minhas almas escolhidas vivessem mais unidas a mim, elas me conheceriam melhor”.

“Senhor, é difícil, pois às vezes há tantos serviços a fazer por ti”. “Sim, sei disso. Quando se afastam, vou à procura delas para aproximá-Ias de mim… Mas se vivessem mais unidas a mim, quanto bem poderiam fazer a tantas pobres almas que vivem longe de mim”.

Teologia das Realidades Celestes