Eduardo Poppe, +1924

 

Seminarista ainda, aprendeu de Sta. Teresinha o segredo da oração e do sofrimento pela salvação das almas.

De volta ao seminário, após o serviço militar, arranjou “rezadores” pela santificação do clero.

A noite mística da fé, purifica sua alma. Anima-se:”Ousa o pulo cego no amor invisível”.

Em 1916, o sacerdócio. “Eis a tua vítima… Faze de mim um crucificado, por teu amor, ó Crucificado!” De 1919 a 1924, prostrado pela doença, oferece-se e sofre pela santificação do clero e pela Cruzada Eucarística, da qual é o fundador.

“Trabalhar no apostolado é bom; rezar é melhor; mas o melhor de tudo é sofrer”.

O segredo do seu amor por Jesus é o amor a Maria Santíssima. Medianeira das graças, no espírito de São Grignon de Montfort. “Como sacerdotes devemos tornar-nos outros cristos. Quem mais indicado para nos ajudar do que a Mãe de Deus?”.

“Ao morrer, não posso consolar-me de ter trabalhado muito no apostolado; pois todos somos servos inúteis.

Mas o que me consola, é ter amado e ter feito amar Maria Santíssima”.

Diante do grande Crucifixo, no corredor do seminário, duas velas acesas e dois silenciosos rezadores: Poppe e seu amigo José. De repente, Poppe se levanta, pega uma vela e ilumina as chagas abertas e sangrentas do Salvador crucificado. Parando na chaga do coração, exclama:

“Olha, José! Quão fundas são as chagas! Não tens medo? É o que nos espera. Mas coragem! É o Mestre”.

Escreve no diário: “Jesus, faze de mim um crucificado”.

E foi atendido, caindo doente, desde o segundo ano do sacerdócio.

Para a ordenação sacerdotal reza: “Longe de mim oferecer-te, ó Jesus, na Santa Missa, sem oferecer-me a mim mesmo no mesmo altar”.

Pensamentos de 1916: “Senhor, quero ficar santo; por isso quero sofrer. Senhor, quero santificar outros, e por isso devo sofrer. Senhor, quero santificar os sacerdotes, por isso devo sofrer. Senhor, quero converter os pecadores da paróquia, por isso devo sofrer”. Seu desejo na última doença: “Ser escravo na cruz junto com Jesus”.

Crucificados atraem. Seu sofrimento fecunda seu apostolado pela santificação do clero. “Costuma-se dizer: não há suficientes sacerdotes. Não é bem assim. Não há bastantes sacerdotes santos”.

De uma carta aos seus colegas no sacerdócio citamos:

“Cristo é o caminho. Portanto: pobreza, humildade, sofrimento. Não nos deixemos iludir por palavras ou por bonitos propósitos do nosso retiro. Christus passus est.

Cristo padeceu, sofreu, irmãos. Se queremos tornar-nos sacerdotes santos e fecundos, é preciso sofrer, sofrer muito, com a mesma vontade com que dizemos ‘quero tornar-me um bom sacerdote, um santo’, pois é a mesma coisa.

Neste propósito de sofrer temos de manter-nos sempre, agarrar-nos como a uma tábua de salvação. Por vezes, por tantas vezes, arrepia-se nossa alma até o intimo ao compreender o que é querer sofrer. Mas deixem tremer e temer o coraçãozinho, e continuem dizendo com humildade: sim, aceito sofrer. Logo são superadas as dificuldades e começamos a apreciar o sofrimento, talvez até a amá-Io.

Trabalhar é bom, rezar é melhor; o melhor de tudo é sofrer”.

Como remate final, Poppe apresenta a chave de ouro que descerra todo o mistério: devoção e amor à Mãe de Deus, à Co-redentora e Medianeira. “Um penhor vos foi dado: devoção e amor à Mãe de Deus. A fim de não trabalhardes em vão, sede servos de Maria.

Somos propriedade sua, domínio mariano. Nossa sorte e destino estão nas mãos de Maria. Talvez milhares e milhares caem ao nosso lado, e a nós nada atinge, sob as asas da poderosa rainha do céu.

Ela irá guiar-nos e proteger-nos em nosso caminho.

Não nos poupará o sofrimento; antes, dar-nos-á fome de sofrer, como de alimento necessário. Com a Ave-Maria em nossos lábios, somos invencíveis. Ave, Maria, mãe dos pequenos, socorro dos fracos, estrela na tempestade…

Irmãos, não vos digo mais nada. Estais sabendo tudo. Amém, Maria!

Já conheceis o segredo. Conheceis o caminho curto, seguro e cômodo: ser pequenos servos, filhos corajosos da Virgem Maria”.

Teologia das Realidades Celestes