Maria de Santa Cecília, +1929

“Queres sorver o cálice da minha Paixão?” “Sim, Jesus, respondi. No começo, mo ofereceu só na quinta e sexta-feira; depois, de segunda até sábado”.

“Poucas almas, mesmo consagradas, sabem compadecer-se da agonia de meu coração, porque não têm bastante delicadeza. Várias pessoas não sabem, porque têm medo de saber. Têm medo de dever renunciar a certas fantasias”.

“Jesus mostrou-me, em espírito, os milhões de almas que correm para sua perdição eterna… E ele, o Salvador, rodeado de um punhado de almas fiéis, sofrendo em vão por esses milhões de pecadores. Meu Jesus, o que é que falta?”

“As almas piedosas não se associam bastante aos meus sofrimentos. Consentes, tu, em padecer no físico e no moral?” “Podendo contar contigo, ó Jesus, com tua força, sim; com todo o amor”.

“Jesus continua mostrando-me os milhões de almas que ele, durante sua agonia, viu correr para a perdição. E lá está ele, rezando e sofrendo… Meus apóstolos, Pedro, Tiago e João eram almas consagradas e ficavam dormindo durante minha agonia. Quantas almas consagradas dormem também enquanto a Igreja está sendo perseguida e sofrendo.

“Que queres meu Jesus?” “Amor e sacrifício. Com palavras, muitos dizem: tudo por ti, meu Deus. Mas na prática, agem muitas vezes: tudo por si. Faço grandes confidências às almas que têm compaixão de mim, e querem consolar-me na agonia” .

“Na minha agonia, meu coração sofreu mais pela indelicadeza das almas consagradas do que pelos crimes mundanos, porque prodigo-lhes tanto amor”.

“Meus sacerdotes deveriam ser outros eu. Amo-os!

E são tantos deles que me amam pouco! Não vivem bastante a vida de união íntima comigo. Queres tu amar-me, renunciar-te pelos sacerdotes, cada sábado?”

“Jesus mostrou-me milhares de almas consagradas que estavam em sua presença. Um grande número estava distraído. Somente algumas, fáceis de contar, estavam ininterruptamente atentas a ele.”

Jesus: “Olha! No dia da profissão fazem doação sem reserva, mas depois, retomam-se… Nos pontos importantes da regra, cumprem minha vontade, mas nos pormenores, não ligam às minhas preferências. Vê estas outras, todas ouvido para saber novidades… e eu fico de lado.

Conheço a fraqueza humana. Perdôo e esqueço. Mas meu coração sente a ferida. E eu as amo com amor infinito!

Eu queria dar minhas graças sem restrições. Mas a falta de renúncia, a falta de amor impede-me… Dizem: as grandes graças são para algumas privilegiadas. Que engano!

Todas as almas consagradas são privilegiadas. Reza, sofre, ama e ocupa-te apenas de mim somente”.

“Uma alma totalmente abandonada a mim irradia longe. Com ela faço o bem até o fim do mundo”.

“Chamo todas as almas consagradas para se doar totalmente a mim. Para deixar-se absorver por mim. Para deixar-me nelas agir com liberdade. Para através delas irradiar como quero. Chamo todas; mas tu vês como são poucas as que nada recusam.

Em toda essa multidão, em cada alma, não se devia ver nada mais de humano, mas só a mim. Olhando para as almas consagradas, meu Pai celeste devia ver em cada alma, só a mim. Infelizmente, estão longe disto”.

“Escuta bem: se todas as almas consagradas nada me recusassem, se me deixassem agir nelas livremente, então todas as almas se salvariam. Sim, todas as outras se salvariam. Pela voz das almas consagradas, eu iria pedir e suplicar a meu Pai celeste salvar e santificar todo o mundo. Ele não poderia recusar”…

Teologia das Realidades Celestes

 

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