IDÉIAS

 

Nós, seres terrestres, somos tentados demais a reduzir o céu ao tamanho da nossa terrinha… é de nascença.

Sem sermos tão cínicos como Renan (um dos muitos  anti do céu). Moribundo, rabiscou num papel: “Meu emprego no além, arquivista de mim mesmo; durante a eternidade irei rever e remexer meus papéis e meus livros”.

Quiçá já esteja fazendo isto? Quem sabe, Lúcifer lhe cobrou a palavra, como outrora a Sísifo na lenda grega.

É curioso: ninguém tem pressa de ir para o céu, afora os santos. Conta a anedota clerical que um moribundo declara com franqueza: “Não tenho pressa de sair da terra; pois terei durante toda a eternidade, bastante tempo para amar a Deus e regozijar-me com ele”.

O outro modo: o sacerdote-mártir, Pe. Jacques, OCD, vítima do antisemitismo, exclama perante a morte tão próxima, alegre, jubiloso: “Mas pensem!… Ver Deus!… Ver Deus!…”

Perguntam a Sta. Teresinha se está resignada a morrer. Responde: “Acho que é necessário resignação para viver. O pensamento da morte enche-me de alegria”.

 Pregador fiel foi Sto. Agostinho num sermão dominical. Soube descrever tão bem a beleza do céu que o auditório se levantou exclamando: “Pereant universa” (Desapareça todo o universo).

Simples, singelo, convicto, o testemunho de um cristão do povo: Gauss, o matemático, escreve em 1802 a um amigo: “Adeus, amigo! Que o sonho, que chamamos vida, te continue bonito, antegosto da verdadeira vida que nos espera em nossa pátria verdadeira.

Carreguemos esse fardo corajosamente, até o fim. Quando então bater nossa última hora, quando caírem do espírito livre as correntes do peso corporal, então será indizível nossa alegria de ver aquele que só podíamos adivinhar durante a vida terrestre”.

 Teologia das Realidades Celestes