CIDADE CELESTE

O penúltimo capítulo da Bíblia tenta descrever, pintar- nos o céu.

Mas tudo em figuras simbólicas, arte abstrata.

São Paulo foi arrebatado até ao terceiro céu, mas viu-se depois incapaz de dizer algo inefável. São João viu abrir-se o céu ante os seus olhos: “Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, ornada como uma noiva” (Ap 21,1).

 E o apóstolo tenta transmitir a mensagem do alto: uma cidade maravilhosa feita de ouro, cristal, pérolas e pedras preciosas; símbolos e reflexos, revérberos da glória de Deus. Não há nem sol nem lua, porque “a glória de Deus” a ilumina. Enorme seu tamanho. Seus habitantes: a grande multidão de todas as tribos e de todas as nações da terra. Cidade santa: porque é o “habitáculo de Deus entre os homens.

Deus mesmo habitará no meio deles” (Ap 21,3). Não há templo, nem Igreja nesta cidade, “porque Deus e o Cordeiro são seu templo” (Ap 21,22). Santos são seus moradores. “Nada de impuro ali entrará, nem idólatra, nem herejes; mas somente os inscritos no livro da vida” (Ap 21,26). Felizes seus habitantes. Daí, jorram águas da vida eterna (Jo 7,39).

“Uma torrente de água viva resplendente como cristal” (Ap 22,1). Ali está a árvore da vida, carregada de frutos que dão a imortalidade, a vida eterna (22,1). “Deus enxugará as lágrimas dos seus olhos; já não haverá nem luto, nem lamento, nem dor”.

“Porque passaram as coisas de outrora” (21,4). Brilha para eles o sol da vida eterna: Deus. E seus raios se refletem em revérberos na fronte dos eleitos. “Porque a sua luz é o Cordeiro. Brilharão pelos séculos dos séculos” (22,5). Eis a cidadela celeste do vidente. 

Figuras e símbolos da “glória eterna”. Diz Jesus que os santos do céu “brilharão como o sol” (Mt 13,43). Repete o apóstolo: “Deus nos chamou ao seu Reino e à sua glória” (1Ts 2,12). “Deus vos chamou para tomardes parte na glória de Cristo” (2Tes 2,14). “Quando aparecer o Cristo, nossa vida, aparecereis também vós com ele na glória” (Cl 3,4).

E São Pedro promete- nos uma “coroa imortal de glória” (1Pd 5,4). Daí a conclusão: “Os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória futura que se há de revelar em nós” (Rm 8,18).

“A ligeira tribulação que de presente sofremos nos merece um tesouro eterno de glória sem igual. Contanto que cravemos o olhar, não nas coisas visíveis, porém, nas invisíveis; pois o visível dura pouco tempo, ao passo que o invisível é eterno” (2Cor 4,17).

Roger Wrenno, mártir inglês, foi condenado à forca (1616, Lancaster). Mas a corda rebentou. O povo aplaudiu, convidando-o a desistir da fé romana: “Vais ficar livre”. Mas Rogério correu depressa pelos degraus do palanque acima.

E o algoz caçoando: “Por que tanta pressa?” Rogério: “Ó rapaz, se tivesses visto o que eu vi, tu correrias também”. Instantes depois estava para sempre na glória de Deus.

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