DESCANSO ETERNO

 

Sto. Agostinho descreveu o céu com uma frase lapidar, numa linguagem elegante e num latim clássico que desafia tradução: “Ibi vacabimus et videbimus. Videbimus et amabimus. Amabimus et laudabimus, ecce quod erit in fine sine fine”.

Primeiro, o descanso das fadigas e canseiras da vida terrestre. “Bem-aventurados os mortos, diz o Senhor… descansarão dos seus trabalhos e suas obras os acompanham” (Ap 14,13). Chegamos em casa, onde nos recebe de braços abertos o carinho dos nossos. Como descreve Isaías 66,12: “Farei correr a paz e a felicidade sobre eles como um rio, e como uma corrente transbordante.

Apertar-vos-ei ao meu coração, diz o Senhor, e vos carregarei sobre os joelhos como crianças de colo. Como uma mãe acaricia seus filhos, assim consolarei Jerusalém.

Vossos ossos irão florir como flores… E a mão do Senhor se manifestará”.

O que rezamos tantas vezes sobre os túmulos abertos, realiza-se agora: “Requiem aeternam”. Dai-Ihes o descanso eterno na luz eterna, perpétua. É o termo final da viagem. Envolve-nos a paz, paz suave e forte como o mundo não pode dar. A vida terrena está longe, distante na bruma, como um sonho agitado. Passou o pesadelo.

Sobre os ossos, que apodreceram no cemitério, cresce a erva. Os ciprestes agitam no vento suas copas. As sombras da tarde encobrem as ruínas dos túmulos. Ao sol da manhã sucede a noite. As estrelas seguem o seu curso… e os anos se vão e retomam.

O esquecimento envolve tudo, apaga todos os vestígios da criatura morta. Mas sua alma descansa na paz de Deus, paz eterna. Descanso enfim, para sempre. Passou todo o mal, todo o sofrer, todo o medo. Vivemos agora na plenitude de Deus. Temos tudo. Nada nos falta, nem irá faltar.

Todas as sete preces do Pai-nosso realizaram-se.

Cá estamos no céu junto do Pai do céu. Onde seu nome é santificado plenamente. Onde seu reino já chegou, já se cumpriu, já se realizou e seu reinado é inconteste. Onde se faz a sua vontade com absoluta perfeição.

Não precisamos pedir mais pelo pão de cada dia, porque Jesus vive em nós e ele é a vida eterna. Não precisamos mais pedir perdão pelos pecados: os passados não existem mais; foram apagados e para o futuro, pecar é impossível.

Não mais precisamos temer a tentação. Na terra vivemos de coração dividido, à mercê de dois rivais que se degladiam em nosso peito. “Infeliz de mim”, dizia o apóstolo (Rm 7,24). No céu estaremos em absoluta segurança.

Tenho Deus e Ele tem a mim.

Teologia das Realidades Celestes