Meu coração viu a Deus, e tende espontaneamente e com força irresistível ao bem supremo. Tornou-se impossível a alma afastar-se de Deus e Deus da alma. Enfim, posso ficar despreocupado. Nada mais me separa de Deus (Rm 8,38). O tempo da prova passou. E do passado não fica mais nada?

Sim e não. Nada que perturbe ou aflija. E fica tudo o que dá alegria e felicidade. Dos bens terrestres, guardamos a satisfação de os ter usado para a maior glória de Deus ou rejeitado por seu amor.

Meus gostos humanos. Se foram desordenados, terei a satisfação de os ter vencido. Se foram retos e bons, eu os encontrarei de novo na convivência com as pessoas amadas. Ou serão absorvidos pelo superpotente amor de Deus que abraça, envolve, assimila tudo e que dilui, desfaz tudo quanto lhe obsta.

E meus pecados passados? Os santos lembrar-se-ão com prazer de suas penitências. E nós, viveremos mergulhados num mar de misericórdia e de bondade. Eis tudo quanto sobrou das nossas fraquezas. E se eu perguntar aos habitantes celestes por seus trabalhos, por suas canseiras, por seus sofrimentos na terra?

Todos me responderiam a uma só voz que não têm proporção com sua glória. Os labores apostólicos tão sobre-humanos de São Paulo, de São Vicente Ferrer, de São Francisco Xavier, as penitências e mortificações de tantos fiéis, as torturas de tantos mártires nas arenas romanas ou nos campos de concentração – tudo passou. Foi um breve instante, do qual nada mais resta senão a glória e a felicidade.

Oito vezes Jesus prometeu às almas de boa vontade a felicidade eterna. Bem-aventurados os pobres. Bemaventurados os sofredores. Bem-aventurados os castos.

Bem-aventurados os perseguidos e oprimidos. Agora, no céu, o trabalho cessou. Fica só a felicidade, cheia, transbordante, eterna. E se os santos comparam-na com o preço que Ihes custou na terra, só podem exclamar: foi por um nada, foi presente, foi uma graça” (Long Haye).

“Vacabimus”. Pudéssemos avaliar, saborear desde já o valor desta palavra! Tentemos, ao menos pela fé e esperança, representar-nos ao vivo essa promessa de Deus, fazendo-nos antegozar um pouco daquela paz e felicidade que será a nossa, quando Cristo nos chamar:

“Vinde benditos de meu Pai”. Sofrimento e temor passaram.

Não haverá mais dor ou sofrimento para vós. Só paz, calma, segurança, alegria sem fim.

 

Teologia das Realidades Celestes