“VIDEBIMUS”

 

Misteriosa a palavra com que São Pedro qualifica o cristão: “Somos feitos participantes da natureza de Deus” (11, 1,4). O apóstolo interpreta assim as palavras de Jesus:

 

“Dei-Ihes a glória que tu me deste… antes da criação do mundo” (Jo 17,2). A teologia usa o termo graça santificante, pela qual “somos filhos de Deus, embora ainda não seja manifesto o que viremos a ser” (1Jo 3,2). Quando transparecer essa graça interna, “seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é” (1Jo 3,2).

 

“Quando contemplarmos, de face descoberta, a glória do Senhor, seremos transformados na mesma imagem, brilhando em claridade cada vez maior” (2Cor 3,18).

 

Quando caírem os véus, a luz da fé será substituída pela luz da glória e veremos a Deus diretamente, sem intermediário. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Deus mesmo, o Cordeiro, será a nossa luz (Ap 22,5).

“Agora, vemos Deus como que num espelho, mas depois, face a face; agora, só conheço em parte, mas depois, conhecerei de todo: assim como eu sou conhecido” (por Deus) (1Cor 13,12).

 

Eis os dados da revelação. A teologia tentou, durante quase dois mil anos, explicar “melhor”, mas sem muito resultado.

Ainda vale a palavra de Sto. Agostinho: “Mais fácil dizer o que não há no céu do que dizer o que nos será dado”.

 E, a propósito, uma palavra de São Paulo: “Ele é poderoso para fazer incomparavelmente mais do que possamos imaginar” (Ef 3,20). Nosso conhecimento de Deus na terra é tão precário, limitado, às vezes confuso; penosamente, juntamos peça por peça, como um mosaico, um conhecimento fragmentário. Mas na glória veremos a Deus em si, porque ele nos empresta seus próprios olhos. Como se expressou Sto. Agostinho: “Os bemaventurados vêem a Deus com os olhos de Deus”. Ainda hoje há cristãos que neste ponto perguntam: E o que mais? É só isto?

 

Ora, vermes da terra! Veremos a Deus como ele se vê a si próprio, face a face. Um milagre que só tem parelha no milagre da Encarnação (Scheeben). Milagre inaudito.

 

Criatura alguma é capaz de ver a Deus diretamente.

 

Para isto Deus tem de criar-nos novos olhos. Mais exatamente:

 

Deus dá seus próprios olhos. Nenhuma coisa criada é capaz de representar Deus como ele é, em sua infinita natureza divina. Por isto Deus une e funde a alma humana em sua natureza divina e fá-la ver com a luz divina.

 

 

Teologia das Realidades Celestes

 

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