Mistério inefável.

 

Visão perene, inesgotável, por Deus ser infinito. Há tempo, há assunto para toda uma eternidade. Escreve Gregório de Nissa: “Nosso coração nunca se farta, porque o bem infinito não tem limites”. “Deus ilumina a alma continuamente e ela aprende continuamente, porque suas riquezas não têm limites. Sua sabedoria não tem medida.

É um progresso contínuo de eternidade em eternidade”(Irineu).

A essência divina penetra a minha alma. Fácil dizê–lo. Mas que conseqüência! Se Deus me envolve, se a luz eterna me envolve, eu também brilharei. Se Deus, a ciência eterna me envolve, então eu também saberei tudo aquilo que me permaneceu misterioso na terra. Se Deus, a bondade infinita, me envolve, então se cumprirão todos meus nobres desejos. Se Deus, a felicidade eterna, me envolve, então terei todas as alegrias que a terra me negou, ou que eu me neguei na terra” (T. Toth).

Jesus mostrou a Sta. Teresa d’Ávila a glória dos eleitos, rematando: “Veja o que perdem os que são contra mim; não deixes de Ihes contar isto” (Vida, 38).

Sta. Madalena de  Pazzi faz a comparação engraçada: “É como quem bebe um copo de água fresca e outro que se banha no mar”.

A Gertrudes Maria diz Jesus: “Deixo-te mais tempo na terra a fim de tornar-te mais feliz no céu. Tu procuras dar-me prazer, glorificar-me. Eu te glorificarei algum dia”.

Gília, a amiga de Sta. Margarida de Cortona, dedicada enfermeira num hospital, recebeu um lugar entre os querubins.

Visão desigual: mas total e completa para cada um.

Algo assim como os ouvintes de música numa sala de orquestra. Todos ouvem tudo igual, mas não o saboreiam igualmente. Aliás, ninguém é capaz de exaurir a plenitude infinita do ser divino, nem a Santíssima Virgem.

O corpo humano, com seus cinco sentidos, após a ressurreição final, participa também desta visão a seu modo. O corpo e seus sentidos, serão divinizados. Portanto, um pouco mais aptos do que agora na vida terrestre.

Mas o como, é mistério. Aqui na terra, recebendo a alma uma visão celeste, ela cai freqüentemente em êxtase, isto é, perde os sentidos, por serem obtusos demais para as coisas celestes. Como Deus fará isto no céu?

Mais um mistério a ser descoberto quando lá chegarmos.

Teologia das Realidades Celestes

 

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