“IN FINE SINE FINE”

 

Um devoto de Sto. Agostinho está rezando junto ao túmulo do santo. Recebe uma visão. Vê o santo parado na porta do céu, olhando, olhando céu adentro. O devoto interpela: “Mas, Sto. Agostinho, porque ficas parado na porta? Por que não entras?” Agostinho vira para trás: “Por que estás tão apressado? Cheguei neste momento”.

 

“Neste momento? Faz trezentos anos que morreste”. Agostinho repete: “Como? Já faz trezentos anos desde a minha morte? Passou depressa. Então vou entrando”.

 

O céu é eterno. É vida sem fim. É fim sem fim. Garante-o a palavra de Deus. Livro da Sabedoria 5,16: “Os justos vivem eternamente”. As palavras jubilosas do profeta Isaías 65,16: “Vou criar um novo céu e uma nova terra.

 

Não se lembrarão mais do mal passado… Exultem de júbilo e gozem de alegria pelos séculos dos séculos. Porque vou criar uma nova Jerusalém de júbilo e um povo de alegria”.

 

Jesus confirma e reforça: “Quem guardar minha palavra não provará a morte eternamente” (Jo 8,52). “Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna… viverá eternamente” (Jo 6,54.59).

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim… viverá” (Jo 11, 25).

 

“Quem neste mundo odeia sua vida, salva-la-á para a vida eterna” (Jo 12,25).

 

Os apóstolos repetem: “Quem semear em sua carne, da carne colherá perdição. Quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna” (Gl 6,8).

“A ligeira tribulação que no presente sofremos, nos merece um tesouro eterno de glória” (2Cor 4,17).

 “Ao que vencer, fá-lo-ei coluna no templo de meu Deus e daí não sairá mais” (Ap 3,12). “O Senhor é a luz. Reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22,5).

 

A eternidade é uma manhã de aurora sem nuvens; é um dia que nunca se põe; uma tarde sem ocaso; uma vida que a morte não pode lesar. Viverão “por perpétuas eternidades” (Dn 12, 3). Essa eternidade é o próprio Deus.

A sua eternidade derrama-se na alma criada e a alma está ciente desse dom. Ela está segura do amor eterno, de Deus. Eis a herança dos filhos de Deus: a vida eterna. “Deus mesmo quer ser tua vida eterna”, escreveu Sto. Agostinho. E ao morrer exclama: “Deixa-me morrer, ó Deus, a fim de viver”.

São Martinho de Tour ao ouvir falar de “outra vida” corrigiu: “não há outra vida; há só uma verdadeira”.

 

A alma está acima do tempo. Para Deus, mil anos são como um dia e um dia como mil anos (2Pd 3,8). A criatura participa agora também desse privilégio divino.

 

Mil anos correrão como um dia e um dia será longo como mil anos. Como Sto. Agostinho, na porta do céu… esquecido de tudo.

 

Esta é a resposta de Deus a todas as dúvidas e angústias dos mortais “ó abismo de riqueza, sabedoria e ciência de Deus. Quão insondáveis teus planos e incompreensíveis teus caminhos.

Quem conhece o pensamento de Deus? Ou quem lhe dá primeiro para receber em troca?

 

Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele seja dada a glória, pelos séculos, Amém” (Rm 11,33). “Esta é a sabedoria de Deus. Não sabedoria dos filhos deste mundo, mas sabedoria de Deus, misteriosa, oculta, que Deus trazia reservada para nossa glória antes que o mundo existisse.

Sabedoria que os grandes deste mundo não compreendem… Pois olho não viu, nem ouvido ouviu, nem coração sentiu o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2,6-9).

“A nós revelou Deus pelo seu Espírito… Porque não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que é Deus, a fim de que conheçamos toda a grandeza que Deus nos tem dado” (1Cor 2,10-12).

 

“Eu te bendigo, ó Pai do céu e da terra, que tens escondido isto aos sábios e prudentes, mas o revelaste aos pequenos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11,25). “Porque o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens.

E o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens… Por ele é que estais em Cristo Jesus, que por Deus tem vindo trazer nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção. Quem se gloria, gloria-se em Deus” (1Cor 1,25ss).

 

Ouçamos de novo o cântico dos cânticos da Boa Nova: Bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino do céu. Bem-aventurados os tristes, porque serão consolados.

 

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra da Promissão. Bem-aventurados os famintos e sedentos de santidade, porque serão saciados. Bemaventurados os misericordiosos, porque serão tratados com misericórdia.

 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino do céu. Bem-aventurados vós, mil vezes bemaventurados!

 

Assim tem falado o mais santo e o mais sábio. Aquele em cujos olhos brilham os revérberos da eternidade.

 

“Eu sou a ressurreição e a vida… Quem crê em mim, não morrerá eternamente” (Jo 11,25).

Teologia das Realidades Celestes