Para os primeiros cristãos a nossa elevação a Cristo era algo tão natural, tão espontâneo, que fazia parte da prece cotidiana. “Venha o teu reino”. “Maranathá: Vem, Senhor Jesus, vem!” (1Cor 16, 22; Ap 22, 20).

 

Entre os modernos deparamos com alguns nomes famosos que reencontraram Cristo. Papini dedica-lhe a melhor de suas obras.

De François Mauriac, romancista francês deste século, disseram que na segunda metade de sua vida não conhecia outro assunto senão Jesus Cristo.

 

Perdeu a fé, mas “salvou uma pérola de grande valor, um pouco dura (para mastigar) mas ardente”: o Novo Testamento, e no N.T. a figura de Cristo. “A despeito de tudo quanto se escreve, tentando converter o Evangelho em mito e lenda, eu sei que ele existiu. Posso dizer que sou testemunha que suas palavras nos foram transmitidas com autenticidade, pois eu vivi por elas, alimentei-me com elas e elas salvaram-me do desespero”.

 

Famosa a frase do Peregrino do Absoluto: “Só há uma tristeza, a tristeza de não ser santo”. Que contraste com o mórbido “Bonjour, tristesse” da Sagan.

 

Ainda outro som: “Não fui feito para essas coisas. Sinto-me bem sadio e entendo-me bem com a vida… Meu Deus, afasta de mim a tentação da santidade, que não foi feita para mim. Não me tentes com o impossível” (Jacques Riviere). Jacques, releia devagar o Novo Testamento!

 

Vítor Hugo escreveu de Maomé: “Vencia nele ora o super-homem, ora o baixo-homem”. Eis o drama da existência humana. Drama e programa: levar o super-homem à vitória sobre o infra-homem, vitória total e incondicional.

 

Que o super-homem em nós necessite lutar todos os dias por sua sobrevivência, eis a nossa secreta tragédia. Que ele possa enfrentar seus adversários, eis o nosso secreto júbilo. Que ele vença, eis o triunfo de Cristo.

 

“Quem está com Cristo, é uma nova criatura” (2Cor 5,17). De modo que “meu juiz não se distingue de mim” pois eu sou, somos parte dele, desde já. Vida de Jesus em segunda edição, em segunda via, deve ser a sua vida.

 

“Novo estilo de santidade: os santos de amanhã não serão penitentes (abstêmios), mas os reis da criação, fazendo fremir de horror, em seus túmulos, milhares de santos dos tempos passados. A tal luta contra si mesmo, a procura de mortificações encontra hoje poucos adeptos, antes, causam escândalo”. A citação é de Daniel Rops, como sinais dos tempos (Revue des deux mondes, 1956).

 

É o esquisito coquetel da vida moderna, como Voltaire que construiu uma igreja na sua fazenda, fez a páscoa dos colonos, confessou e comungou na hora da doença para ter um enterro eclesiástico. Dupla contabilidade.

 

Como Lammenais escreveu a Vitor Hugo sobre seu romance O Corcunda de Notre Dame: “Há de tudo no teu templo, exceto um pouco de religião”.

 

É dos nossos tempos: “Nunca escreverei no cabeçalho da minha vida: “Deus só” (como a espanhola de Ávila). Em absoluto, nunca direi: “Deus só, mas Deus e tudo, Deus ao redor de mim” (Charasson).

 Sinais dos tempos, adverte Montcheuil, SJ: “Deus não pode ser subordinado nem coordenado”. Senão o resultado será: Bonjour tristesse.

Está escrito: “Foi posto para ruína e ressurreição”.. (Lc 2,34).

 

Madame Acarie converteu-se à santidade aos vinte e dois anos pela palavra de Sto. Agostinho: “É avaro demais a quem Deus não basta”.

 Teologia das Realidades Celestes

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