Concebidos pelo Pai

 

Uma freirinha, ágil e hábil, Maria de Ágreda, viu o tempo, quando não era tempo ainda, antes da criação do mundo. Deus só, e fora dele nada existia.

Então, a Santíssima Trindade decidiu continuar as doações. E na aurora cor-de-rosa do primeiro mundo surge o Filho de Deus feito homem; após ele, sua santa Mãe. E Deus continuou pensando e pensou em nós como continuação do Filho Encarnado.

 

Como o Verbo feito homem, todas as coisas e seres criados teriam parte na vida divina. Seriam também gerados pelo Pai do céu, segundo o modelo de seu Filho primogênito e predileto. Deus pensou em seu Filho Encarnado; depois em sua Mãe; depois em nós.

Só então começou a pensar na criação deste mundo material em que vivemos. Antes de existir o universo (Ef 1,4), nós já estávamos com Deus, aninhados no Filho, inseridos no mistério trinitário.

 

Ó maravilha do amor! Deus fez-se mãe. Deus concebeu-nos desde toda a eternidade. Predestinou-nos a tornar-nos semelhantes ao Filho, cópias fiéis, embora em “edição minúscula, pobre e resumidinha”.

Eis a nossa linhagem fidalga. E é realidade histórica, não mito, nem símbolo, mas real. Nesta vida de graça, e futuramente de glória, as Três Pessoas convivem conosco, confundemse,  misturam-se por assim dizer conosco.

Deus tirou-nos do nada para elevar-se à plenitude. Permaneçamos na plenitude. Tantas coisas desta terra, ocas e vazias, atraem-nos e distraem. Coisas que passam como neblina ao sol matinal.

O único que permanece e perdura sempre é a Plenitude divina.

 

Deixemos nossa alma encher-se de sua presença. Edesde já exclamemos com Sto. Antônio Maria Claret:

 

” Porque Deus é para mim suficientíssimo”.

 

Chamada

 

Deus começa seu diálogo com cada alma. Comunica-lhe sua mensagem pessoal, sua vocação. Paira sobrenossa vida uma voz que chama. No seio da Trindade, cada  um de nós já tem seu nome. Cada alma tem sua melodia própria, para ser eco da Palavra eterna.

 

É a palavra que nos cabe pronunciar. É a língua de fogo que deve arder em nosso coração. É a missão que nos foi confiada. É a marca de Deus que nos sela e lacra para Deus. Deus aguarda nossa resposta.

Feliz de nós se observamos o traçado da Vontade de Deus. Pois, melhor não podemos fazer.

Tantas vezes seguimos nossa cabeça e batemos na parede. Deixemos que a ação divina se intrometa continuamente em nossa vida. Talvez não seja o que nós sonhamos, mas será muito mais formoso.

 

Um sacerdote, noviço do Pe. Ginhac, ajoelha-se aos seus pés. Acusa-se das faltas da vida passada. E, atormentado, conclui: “Veja, Padre, que vida foi a minha. Estraguei todos os planos de Deus”. “Não se preocupe, respondeu seu santo mestre. Deus fará outro plano muito mais bonito”.

 

A reconstrução é sempre possível! A maravilhosa, a mirabolante catedral de Sevilha é a terceira edição. Começou como uma harmoniosa catedral visigoda. Seguiu-se uma mesquita deslumbrante.

Na terceira edição disseram:

 

“Vamos fazer um templo de Deus, e que a posteridade nos chame de loucos”.

Assim, sempre resta em nossa vida uma terceira reconstrução, uma santidade mais madura e, quiçá, das três a mais formosa.

Deus é tão sábio e tão grande que se pode dar ao luxo de variar os tipos de santidade ao infinito. Nada de seriado, de standard. Sempre inédito.

Teologia das Realidades Celestes

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