Ex-votos da gratidão

Sta. Teresinha: “A Virgem jamais deixou de proteger-me como a mais terna mãe. Ela encarrega-se sempre dos meus interesses” (Vida, 306). “Não faço nada sem invocá-la, pedindo-lhe inspirar-me”.

Consummata (Gèuser): “Maria, oculta em Deus com o Cristo, é tão deliciosamente Mãe! Cada vez mais cegamente entrego os meus afazeres em suas mãos e vivo sob sua obediência. Ela arranja tudo admiravelmente. Jamais poderei dizer tudo o que devo a esta incomparável Mãe”(Carta, 72).

Boaventura Fink: “Não existo mais Estou transformado em Maria; Maria em Jesus, e Jesus no Pai”.

Sta. Verônica Giuliani: “A Virgem Santíssima adornou-me de todas as suas virtudes e méritos, qual um manto branco de pureza”.

Consagração

Firmemos esta devoção por uma formal consagração ao Coração Imaculado de Maria. Consagrar-se, significa colocar-se sob proteção especial. Significa, porém, em sentido pleno, uma doação, doação como servo, escravo.

É neste sentido que nos consagramos a Maria, mãe de Deus e mãe nossa. Entendemos fazer uma doação de servos e escravos. Somos filhos da Mãe de Deus, mas filhos pródigos: nem merecemos o último lugar entre os servos na casa do Pai (Lc 15,13).

Desejamos entregar como propriedade, a seu dispor, nossa pessoa e todos os nossos haveres. É pouca coisa.

De pouco valor. De nenhum valor. Nossa pessoa: vil pecador.

Nossos haveres: mais dívidas que méritos. Mas, enfim, do que servir para alguma coisa, que ela disponha a favor do reino de Jesus. Doamos tudo sem temer um longo e merecido purgatório.

Mais vale aplicar os raros valores para salvar almas pecadoras da morte eterna, do que guardar este capital na burra, sem render juros.

O valor meritório das boas obras é inalienável: pois é amor de Deus. Mas podemos dispor do valor de satisfação e do valor de súplica.

Mas, principalmente entendemos consagrar-nos a Maria Santíssima para ela poder dispor de nossa pessoa como de coisa própria, à vontade. Entendemos dar-lhe mão livre, carta branca sobre nosso coração, a fim de que, livre de todo e qualquer embaraço, possa transformar-nos em filhos de Deus. É uma renovação dos votos do batismo, uma plenificação da graça batismal, a fim de crescermos sempre mais, em Cristo Jesus (Ef 4, 15).

Ouçamos o grande apóstolo da Imaculada, o Herói de Auschwitz, beato Maximiliano Kolbe, OFM: Canonizado em 1982.

“Consagremo-nos a ela totalmente, sem limite algum, para sermos seus servos, seus filhos, sua propriedade absoluta, a fim de que de certo modo esteja ela mesma vivendo em nós, falando, agindo. Tornemo-nos como que assimilados por ela; transformados nela… Sejamos dela como ela é de Deus… Quanto mais perfeitamente deixarmo-nos dirigir por ela, interna e externamente, tanto mais perfeitamente chegaremos a participar de sua santidade”.

Mara Santíssima gerou e formou a cabeça do Corpo místico. Deve ela também plasmar os seus membros. Maria não impede a união com Jesus, com Deus. Pois Maria leva-nos a Jesus. Como São Paulo, e mais ainda, ela exclama:

“Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Identificados com Maria somos pois identificados com Cristo. Para agir em nós, ela quer entrega total e franca da nossa alma ao pleno dispor de Jesus.

Antes ela não começa. Exige abandono total em suas mãos, escravidão de amor. A consagração a Maria é o caminho mais curto para unir-nos com Deus, porque ela dispõe de graças em abundância. Ir diretamente a Jesus não é mais perfeito porque nossas obras são sem valor, sem graça perante o céu.

Nossa salvação é a misericórdia divina. E esta foi entregue nas mãos de Maria Santíssima. A Mãe de Deus é um caminho perfeito, porque foi escolhido pelo próprio Deus. Por Maria desceu à terra; o mesmo caminho é retorno.

É caminho seguro, porque Maria protege-nos eficazmente contra nosso grande inimigo infernal e suas ilusões. Já no paraíso foi-nos mostrada a vencedora da serpente (Gn 3,15).

Maria Santíssima ama os que a ela se consagram, sustenta-os, intercede por eles. A Virgem de Fátima pediu a consagração do mundo ao seu Imaculado Coração. Pio XII, de santa memória, consagrou-nos em oito de dezembro de 1942. Renovemos esta consagração diariamente.

Teologia das Realidades Celestes