SANTIDADE

 

O apostolado requer a santidade do apóstolo. Condição fundamental do apostolado fecundo é a vida de união com Cristo. Jesus insistiu: “ficai unidos a mim como o sarmento à videira”. Se cortado, é inútil, torna-se seco.

 

Unido, recebe seiva abundante e produz. Pois o apóstolo é instrumento de Cristo.

 

“Esta natureza de caráter instrumental do nosso apostolado, deve-se ter sempre presente, porque condiciona sua eficiência e determina o modo de praticá-Io.

 

Nos sacramentos basta uma união mínima: fazer o que a Igreja faz. Assim, até o pecador transmite graças. E a Escritura narra como certo dia Deus quis admoestar um profeta através de um jumento (Nm 22,38). Mas apóstolo, colaborador da redenção em sentido próprio, é somente aquele que não se contenta em ser simples instrumento” (Flick).

 

Escreve Pio XI sobre o sacerdócio, em 1930: “Disforme demais seria para um distribuidor da graça de Deus, se ele mesmo fosse desprovido da graça ou pouco a estimasse. Ele deve deixar-se absorver totalmente por Jesus. Deve deixá-Io agir através de nós em favor das almas. Ele é instrumento de Cristo, mas tão somente se é animado por uma profunda vida interior que mantenha nele o senso sobrenatural”.

Em 1929: “Santificai-vos a fim de santificar os outros. Eis a lei”.

 

Pio XII: “O apostolado deve jorrar do espírito interior que o impregna, que o alimenta continuamente e renova esse mesmo espírito” (1948).

 “Podem fundir-se laboriosa atividade externa e rica vida interior. Duas estrelas o demonstram: São Francisco Xavier e Teresa d’Ávila” (1951).

 

A piedade mesma é o primeiro, é o grande apostolado da Igreja. E quem, em homenagem à ação externa, pretendesse reduzir o culto ou tê-lo em menor consideração mostraria escassa ou nenhuma compreensão da essência do cristianismo, do seu núcleo substancial que é a união da alma com Deus num amor ativo e obediente” (1952).

As palavras do Vaticano II são conhecidas e seus textos estão em todas as mãos.

 

Ouçamos ainda o pensamento de alguns hodiernos batalhadores do apostolado na primeira linha: “Mandem-nos um São Francisco de Assis e teremos cristãos aos milhões” (Feltin, 1947).

“Em definitivo, é somente a graça que atinge as almas através dos indispensáveis esforços humanos” (Liénart, 1948).

“Nosso primeiro dever (de apostolado) é a santidade” (Suhard, 1947). “Apostolado é  eminentemente o negócio dos santos” (Card. Schuster).

 

“São necessários sacerdotes santos para suscitar leigos santos. São necessários leigos santos para sacudir o mundo” (Cardijn, 1948).

 “Serei julgado por minha realização (no apostolado)? Não, serei julgado sobre meu grau de amor” (Godin).

“Farei o bem através do apostolado? Não, farei o bem através da minha santidade.

 O que se pede aos sacerdotes da Igreja é que sejam santos. É secundário que estejam “em dia” (Daniélou, 1947).

Teologia das Realidades Celestes

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