Para terminar, o testemunho do apóstolo de Marrocos, Charles de Foucauld.

Escreve ele a um amigo trapista, em 1898:

 “A tua única ocupação agora é viver só com Deus. É estar mesmo, apesar de teu sacerdócio, como se estivesses só com Deus no mundo. É preciso passar pelo deserto durante algum tempo para receber a graça de Deus.

É no deserto que nós expulsamos de nós tudo o que não é Deus… Faz falta à alma esse silêncio, esse recolhimento, esse esquecimento de toda a criação, no meio do qual Deus estabelece seu reino… no colóquio da alma com Deus pela fé, esperança e caridade…

Mais tarde, a alma produzirá frutos perfeitamente correspondentes à sua formação de “homem interior. E se esta vida interior é nula, por maior que seja o zelo, as boas intenções, os trabalhos feitos, os frutos são nulos.

 É uma fonte que quereria santificar os outros, mas não o pode fazer porque lhe falta a santidade.

 

Só se pode dar o que se tem. É na solidão, na vida a sós com Deus, nesse profundo recolhimento da alma que ignora toda a criação, que Deus se entrega por inteiro àquele que inteiramente se lhe entrega” (Textos espirituais, pág. 192.)

 

“Uma alma faz o bem não na medida dos seus conhecimentos ou da sua inteligência, mas na medida da sua santidade” (226).

 “Nosso Senhor lhe diz: “A tua vocação: pregar o evangelho em silêncio, como eu na minha vida oculta, como Maria e José” (181). A razão profunda desta exigência é que o apóstolo é instrumento de Deus.

 

Mais uma vez vale: sem Mim nada podeis fazer.

 

Um instrumento será tanto mais eficiente, quanto mais dócil, mais maleável na mão do Mestre. Apostolado de ação é graça externa. Para aceitar a mensagem sobrenatural, a criatura necessita da graça interna de Deus.

 

O apóstolo ofereça, pois, junto com a mensagem, a graça que move a vontade. E é o santo, pleno de amor de Deus, o melhor canal da graça divina.

 

Escreve Sta. Teresa d’Ávila: “Por que se convertem dos vícios públicos tão poucos pelas pregações que escutam?

 

Sabem o que penso? Porque os pregadores têm prudência humana demais. Porque eles não ardem daquele fogo do amor de Deus de que ardiam os apóstolos.

 

Por isso, a sua chama esquenta pouco” (Vida, 16,7).

 

Escreve, séculos depois, Sto. Antônio Maria Claret aos seus missionários: “Vocês devem possuir todas as virtudes, sem as quais todo o vosso engenho será inútil, a voz infecunda e todo trabalho em vão”.

 

Jesus queixa-se: Um grande número de almas perde-se porque muitos dos meus sacerdotes não me amam bastante. Eles não tocam os corações porque não estão muito unidos a Mim. Eles contam demais com meios humanos e sua própria atividade, e não o bastante na ação divina.

Teologia das Realidades Celestes

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