OS PERIGOS

 

Os perigos que ameaçam o apóstolo na sua tarefa são todos aqueles fatores que afrouxam sua união com Jesus; que o tornam instrumento menos maleável, nas mãos do Salvador. Perigo é menos o mundo mau, o inimigo externo, do que os inimigos internos: dissipação espiritual e egoísmo.

 

O egoísmo ou o amor próprio é defeito comum a todo o mundo. Mas é particularmente danoso na ação apostólica.

 

A vaidade é “às vezes, ou sempre, ridícula” (Mesa).

 

Mil pequenas satisfações humanas. Tudo isto trava a ação do Salvador.

 

O naturalismo. Técnicas humanas, psicológicas, dão resultados aparentes. Mas o insucesso a longo prazo é fatal, porque é “Deus quem faz crescer” (1Cor 3,7).

 

A dissipação espiritual, seguida pelo descuido da oração.

 

Há sempre o perigo de esvaziamento. A heresia da ação é inata. É o dinamismo horizontal, sem contato vertical, sem contato com o alto. John Wu disse certa vez: “Isto não é ação católica, é somente agitação”. “Quanto apostolado cristão não passa de um movimento puramente humano com muito barulho e muita poeira. Falta o cimento que liga as pedras. Falta o contato com a única fonte de vida cristã, o amor divino” (Gabriel Maria, OCD).

“Condição indispensável e medida de eficiência de nosso apostolado é o grau de nossa vida interior” (Antonelli).

 

A vida interior é também o único esteio para não sucumbir à tentação do desânimo: alinhando-nos com Jesus também no fracasso externo do seu apostolado. Portanto, haja no apóstolo muito amor a Deus e nenhum amor próprio.

 

Por isso:

 

– Repitamos com Sto. Inácio de Loiola: “in omnibus quaerant Deum. Procurem em tudo a Deus”. “Na ordem sobrenatural, escreve ele aos estudantes de teologia em Coimbra, é como na ordem natural. O ser age segundo sua natureza“. Sendo instrumentos da vida sobrenatural devemos ser movidos em tudo pelo Espírito de Deus (Rm 8,14; 1Cor 3,15). E o meio de manter a bússola ininterruptamente no rumo do coração de Deus é a oração.

 

– Axioma: Agir sempre movidos por amor a Deus, por um grande amor a Deus. Sendo encarregados de levar aos homens o amor de Deus, é bom levar uma boa provisão (Rm 5,5). E mais uma vez: o meio de fazer provisão deste amor é a oração.

 

“As ações apostólicas são um modo de amar a Deus, e certamente não o último” (Mesa). Todas as nossas ações do dia, de sol a sol, devem ser atos de amor a Deus, tanto o trabalho mental como o manual. Um lugar de destaque se dê ao trabalho apostólico. Mas como somos seres humanos, tão humanos, estamos sujeitos a numerosas deformações, todas oriundas do amor-próprio.

 

As obras externas atraem mais que a hora da meditação; atraem, distraem, dissipam. Escreve Charmot: “Não está no pensamento de Sto. Inácio que um discípulo possa santificar-se pelo apostolado a não ser agindo por e com Cristo”.

Teologia das Realidades Celestes

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