Escreve Piá (Vie Spirituelle, 1948): “A ação (do ativista) faz muito volume e mostra magra fecundidade sobrenatural.

Ele organiza mais do que transmite a vida. O Espírito Santo aí não joga à vontade, porque o homem
ocupa lugar demais”.

A atividade apostólica visa a santificação do próximo, não do apóstolo. Supõe o apóstolo formado na escola de Jesus, com diploma de madureza.

Creio que está fora de dúvida que é mais fácil transformar a audição de um sermão em atos de fé e de amor do que declamá-lo.

Novamente Piá: “Falar do apostolado como de um meio de santificação é uma expressão infeliz. Não se é apóstolo para se santificar a si mesmo, mas para santificar aqueles aos quais é enviado.

Mas há uma realidade certa: o apóstolo pode se santificar no exercício de seu apostolado…

O apóstolo é dispensador do mistério. A sua mensagem será aceita somente por aqueles que Deus chama interiormente, segundo João 6,44”.

A ação apostólica deve ser prenhe do amor de Deus e a Deus. O dilema não é ação versus contemplação, mas ação externa versus número de horas de apostolado, Mas em cada lado valem o grau e o número dos atos de amor a Deus.

Todos os atos apostólicos devem ser atos de amor divino. Para este fim não basta uma boa intenção geral feita de manhã ao levantar-se. É útil repetir durante as horas do dia jaculatórias, atos de amor; mas nada disto resolve.

É necessário transformar, de fato, todas as nossas ações em atos informados pelo amor de Deus; explicita ou implicitamente. Devem ser atos comandados pelo amor de Deus, e não secretamente pelo amor próprio.

Como diz Sto. Tomás: “Toda a atividade virtuosa deve ser regida, ou atual ou virtualmente, pelo império da caridade divina”, As virtudes valem perante Deus por seu grau de amor. E para isto não basta uma intenção habitual, feita uma vez, não revogada, mas esquecida (Cf. TRUHLAR,
Antinomias).

Teologia das Realidades Celestes