Alguns têm facilidades, isto é, têm a graça de Deus e sentem-se estimulados pelos encontros apostólicos.

Para outros, talvez para a maioria de nós que estamos navegando em tempestades, há o perigo do apostolado dissipado.

Para chegar à renúncia de todo o egoísmo, imprescindível no apostolado de Deus, “o acúmulo máximo de obras externas de apostolado não é remédio algum” (Plé).

O único remédio contra a dissipação, e solução banal, é a meditação. O único remédio contra o esvaziamento é a oração freqüente que nos enche de amor de Deus.

“A oração não é um dever imposto. Não é um exercício preparatório para o apostolado. A oração é a primeira necessidade do homem e a alegria de sua vida”, (LOCHET, Christus, 19,55).

E acrescentamos prosaicamente: oração é o modo mais simples, mais fácil e mais barato de amar a Deus. Amando a Deus com fervor, a sua graça não encontra em nós, seus ministros, obstáculos para passar e chegar até a alma do pecador.

Em tempos antigos, já escreveu São Gregório Magno: “quando os santos retornam da oração e falam aos outros, eles ferem e incendeiam com suas palavras o coração dos seus ouvintes”.

Julgue o leitor mesmo a frase ambígua: “A oração do apóstolo em geral não é muito longa; ele precisa destas longas horas para dedicar-se a obras de zelo”.

Melhor inspirado pelos apóstolos de Cristo (Atos 6,4) escreve Perrin: “A oração é tão essencial ao coração do apóstolo como seu amor a Deus”.

Verdade é que as necessidades individuais, por assim dizer, variam. Sto. Inácio deixou o tempo da oração à inspiração individual. Pessoalmente desfrutava de uma excepcional facilidade de recolhimento na presença de Deus.

São João Maria Vianney, atendendo confissões ininterruptamente, de madrugada até meia-noite, foi dispensado do Breviário por força da obediência, Mas ele podia contemplata tradere, podia haurir de sua provisão, pois nos primeiros anos desocupados do paroquiato passara
dias em oração.

Retomemos a Perrin (Vie Spirituelle, 1948): “A oração é apostólica porque é uma ação eficaz sobre as almas.

Toda a ação que se restringe às forças humanas, contando somente com indústria própria, é curta demais para atingir uma alma na ordem da santificação. As realidades com as quais lidamos aqui só são acessíveis à fé.

Razão e sentidos, disto nada compreendem”.

Teologia das Realidades Celestes

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