VIDA CONTEMPLATIVA APOSTÓLICA

O Corpo Místico, Igreja de Deus, necessita da ação
apostólica, mas necessita também da contemplação apostólica.

Num organismo, cada parte tem sua função e
tarefa especifica. O sacerdote recebe poderes extraordinários, não para uso pessoal, mas para o povo de Deus.

E o monge contemplativo recebe o “dom” da oração e da
penitência em beneficio de todo corpo místico. Vida contemplativa é ministério público. Os doze apóstolos reuniram em si as duas funções.

Depois se fez divisão do trabalho…

O ativismo de hoje, de ontem e de outrora chama os
contemplativos de inúteis. Quando uma alma generosa se
encerra na solidão, sua conduta facilmente é considerada
como anacronismo, fuga, evasão.

Julga-se que essa vida contemplativa, exteriormente inativa, é super-afetação admirável, um luxo que a fé se podia permitir nos tempos bons de outrora.

Mas, hoje em dia, precisamos de combatentes.
E não os há demais. Como aprovar os que abandonam
o campo de batalha?

Assim andam os dizeres. Mas não sabem o que dizem…

Acusam-se as almas generosas de desertar da
luta, quando elas se lançam no mais forte do combate. É
preciso lutar por Deus, pela Igreja, pela fé, pelas almas.

Lutar sem cessar. Mas lutar no lugar certo. Lutar com as
boas armas. Lutar com tática acertada…
Entre a dedicação à salvação das almas e o isolamento
pela salvação própria, a escolha é feita sem titubear
pelas almas generosas. Elas julgam fazer mais pela
causa de Deus lançando-se no combate do que retirandose
ao deserto a fim de garantir sua própria salvação.

Raciocínio e conclusão certos e legítimos, mas baseados em idéias unilaterais e erradas sobre a vida contemplativa.

O contemplativo vive fisicamente longe do mundo,
mas nele está presente pela arma da oração. Esta alavanca
eleva o mundo. Sua oração ajuda seus irmãos no
mundo a libertar-se da escravidão do pecado e a ir ao
encontro de Deus. Sua oração toca o coração de Deus
em favor de seus irmãos.

“Não nos refugiamos, escreveu um cartuxo, não nos refugiamos na oração para ter sossego,
para cruzar os braços, sem cuidar da seara.

Para tratar docemente da nossa salvação, abrigados do sol e da chuva. Não; de forma alguma! Entendemos que a prece é uma obra de zelo apostólico, por sinal a primeira.

Pois é ela que manda operários à messe. Há necessidade
dos dois: da oração e dos operários. A oração precede e
os operários seguem. Se a oração não precede, os operários
nunca chegam.

E se a oração não faz chegar operários,
ela perde sua finalidade.

Se os contemplativos não rezam pelos homens da ação, correm o risco de serem sonhadores irreais.

Se a ação apostólica não é vivificada pela oração contemplativa, degenera em agitação vã e vazia”.

Teologia das Realidades Celestes