O Magistério da Igreja guia-nos

Pio XII, em 1951: “Saibam as monjas que sua vocação
é um apostolado total, sem limites no tempo e no espaço…
Os meios: o exemplo de santidade; a prece pública
ofertada sete vezes ao dia, em nome da Igreja, e perene
oração particular; o sofrimento “da vida cotidiana, da
obediência regular, das mortificações prescritas ou voluntárias, para completar a paixão de Cristo em prol da Igreja”.

João XXIII, em 1962: “O apostolado verdadeiro propriamente consiste na participação da obra da salvação
de Cristo, uma coisa que não se consegue realizar sem
intenso espírito de oração e sacrifício.

O Salvador remiu o mundo, feito escravo do pecado, principalmente erguendo sua oração ao Pai e sacrificando-se. Por isso, quem procura reviver este aspecto íntimo da missão do Cristo sem dedicar-se a nenhuma atividade externa, exerce de fato o apostolado de uma maneira excelentíssima”.

Paulo VI, em 1966, diz às contemplativas camaldulenses:
“Vós fizestes deste ligame entre o céu e a terra o
único programa de vossa vida. A Igreja vê em vós a expressão mais alta de si mesma. Vós estais de certo modo
no ponto culminante”.

O Concilio Vaticano II: O primeiro texto proposto sobre
a vida religiosa foi criticado por apresentar um conceito
unilateral de apostolado, identificando-o exclusivamente
com a atividade externa. O texto definitivo sublinha o valor
apostólico da oração e da vida contemplativa (PC 1.5.8).

O parecer dos Santos

Liberman: “O povo africano não se converte pelo esforço
dos missionários hábeis e capazes, mas pela santidade
e pelos sacrifícios de seus sacerdotes. Sede santos:
disto depende a salvação das almas”. Liberman condena
com veemência a idéia: “sou antes de tudo missionário,
não dando bastante importância à vida religiosa”.

Sto. Inácio, testemunha insuspeita, também dá a primazia
da eficiência apostólica à oração e à vida interior.
Certo dia, Inácio explodiu: “A um homem realmente mortificado bastam quinze minutos de meditação para unir-se a Deus” (Nadal). Mas bota de gigante não calça bem o anão.

E Sto. Inácio esqueceu-se talvez que nós, durante a
atividade cotidiana, não vivemos envoltos num halo de
presença mística de Deus como ele.

A necessidade de oração, a fim de manter a viva união com Deus, varia individualmente, como comida e sonho. Perdão pela comparação banal.

Escreve Sto. Inácio (Regra 10,2): “Para conseguir o
fim sobrenatural que a Companhia se propõe, o socorro
às almas, aqueles meios que unem o instrumento com
Deus são mais eficientes do que aqueles que o dispõem
em relação aos homens; porque daqueles meios interiores
deve emanar a eficácia dos meios externos”.

Em geral supervalorizamos a ação externa no apostolado.
Por esta razão, Lallement, SJ (Vida e doutrina,
Vozes, 1940) insiste tanto na primazia da vida interior apostólica.

Deus mesmo é modelo: cria e governa o mundo sem
sair de sua vida íntima com o Verbo e o Espírito. Da exuberância de sua plenitude jorra a ação externa.

A ação exterior deve depender, em todos os momentos,
de Deus. O motivo que me faz agir deve ser o
amor de Deus, do começo até ao fim.

É de Deus que depende o bom êxito.
Portanto, trate de estar unido a Deus pela graça santificante, pela prece, pelo amor.

Sto. Inácio quer que todo o tempo livre dos deveres
da obediência seja dedicado à oração.

“Um homem interior fará mais impressão sobre os
corações, com uma palavra animada pelo Espírito de
Deus, do que um outro com um discurso inteiro, que lhe
custou muito trabalho e no qual gastou todo seu engenho”.

“Com a contemplação, num mês faremos mais por
nós e pelos outros do que sem ela em dez anos”.
Um outro filho de Sto. Inácio, Paulo Ginhac, +1895,
diz aos seus noviços do terceiro noviciado: (Note bem: a
Companhia de Jesus não ativa, faz três anos de noviciado,
isto é, de vida contemplativa!)

“Meus padres, um religioso contemplativo realiza, num ano de apostolado, mais do que aqueles de meditação diária de uma hora em toda a sua vida”.

Uma anedota: Um velho sacerdote missionário do
sertão goiano, no inicio do século, resmungava na meditação (pensava em voz alta):

“Por que, em 1925, uma jovem carmelita, Sta. Teresinha, era canonizada com tanto brilho e entusiasmo, enquanto o velho e surdo missionário estava relegado a um canto?”

– Bom amigo: perante Deus santidade, oração, sofrimento são armas prepotentes, mais poderosas que tua voz tonitruante e tua oratória inconteste.

Mas, bom Padre Vicente, Deus não se terá esquecido
das tuas labutas no sertão bruto e das duras horas,
dias, semanas passadas no lombo do burro sob sol e
chuva. Vê lá na tua Bíblia! (Rm 8,28).

Teologia das Realidades Celestes

 

 

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