AÇÃO APOSTÓLICA

Praticamente toda a ação apostólica se reduz à
transmissão da palavra revelada. Mesmo criando organização e organizações, visa-se a formação de um ambiente, de uma plataforma para a palavra.

É nosso meio de ação social, de comunicação. Somente ao apostolado sacerdotal coube uma atuação em profundidade no sistema sacramental.

E na Santa Missa representa ou reitera
o mistério total da salvação, a morte de Cristo.

Ora, apraz-nos repetir: a obra apostólica é essencialmente
sobrenatural. Pois significa providenciar graça
de Deus para seres humanos. A fim de obter graça é mister
merecê-la pela oração e pela virtude. Feito isto, está
atingindo o fim.

Pela solidariedade sobrenatural, pela comunhão dos santos no Corpo místico, a graça adquirida
vai parar no tesouro comum, e de lá é derramada sobre
outrem.

Deus se encarrega bem da distribuição.

Três espécies de apostolado: palavra, oração e sofrimento,
na escala ascendente de valor e eficiência, sem esquecer a pessoa do apóstolo santo e inflamado de amor.

Jesus praticou os três modelos.

A palavra pode ser falada, ou impressa em papel, ou
vivida pelo bom exemplo (mais convincente do que a falada).

No apostolado da palavra entram todos os recursos
de persuasão humana, seja coletiva, pela oratória, seja
individual, no diálogo e em equipes pequenas. Se o apóstolo se contenta só com a palavra falada, arrisca-se a ser apenas fantoche, um apóstolo de faz-de-conta, porque
sua palavra é graça externa, e não atua sem a graça interna.

A persuasão humana tem seu papel no campo humano,
social, político, mas é incompleta no campo religioso,
porque a aceitação de verdades ou deveres sobrenaturais
pressupõe um ato interno por parte da vontade.

Pode acontecer ao melhor orador, ou ao melhor dialético,
falar a ouvidos moucos ou, com franqueza, a corações
duros que recusam o amor de Deus.

É do Cura d’Ars a comparação engenhosa: é inútil
atirar balas de fuzil contra um muro de granito. Pode-se
depois juntar do chão todas as balas. E tantas vezes o
apostolado cristão encontra um paredão de cimento armado.

Será, então, necessário recorrer a armas mais poderosas,
a fim de impetrar graças mais fortes: oração sofrimento.
Como numa guerra moderna, por necessárias
que sejam a infantaria e as brigadas de tanques, a decisão
final está com a superioridade aérea. Está tudo condicionado às reservas de material na retaguarda.

A tentação mais perniciosa do apóstolo é pensar ter
feito algo de grande. Como pincel de Michelangelo na
Capela Sistina, e a velha história e experiência de Sto.
Agostinho: Deus se abaixa sobre os humildes e se afasta
dos grandes.

E o apóstolo perde seu colaborador mais
indispensável. Escreveu Sta. Teresinha: “Desde que Jesus
nos vê bem convencidos do nosso nada, ele nos estende
a mão. Porém, se queremos tentar fazer alguma
coisa de grande, mesmo sob o pretexto de zelo, então ele
nos deixa sós” (Carta, 215).

Teologia das Realidades Celestes

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