Deus faz questão de atitudes autênticas, e aborrece
a mentira.

Mentira é atribuir a si o sucesso obtido por
Deus.

Jesus contou-nos a bela parábola da videira e do
sarmento. Nosso apostolado só é fecundo se o sarmento
fica bem unido à videira que é Jesus Cristo.

O volume de seiva que passa, condiciona a colheita dos frutos.

Não se trata de reduzir nossa atividade, nem de diminuir nossos esforços. Ao contrário, trata-se do cêntuplo
prometido… “Quem permanece em mim, traz muitos frutos.

Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto e
vos torneis meus discípulos” (Jo 15,1). A grande ilusão
dos ativos é gastar todas as suas forças para produzir
frutos, enquanto fazem pouco empenho em permanecer
unidos a Cristo. Dai vem que o resultado não corresponde
à esperança” (Charmot).

É o amor que nos une ao Cristo. A teologia, confirmada
pelo magistério, explicitou este condicionamento da
ação apostólica. O II Concílio de Orange, 529, inculca e
repisa que a nossa santidade é dom de Deus. A conversão
e a santidade do próximo, com que lidamos no apostolado,
estão nas mesmas condições.

Quando praticamos o mal, é obra nossa. “Quando
praticamos o bem, é obra de Deus em nós. Se temos
bons pensamentos é dom de Deus. Se praticamos ó bem,
é dom de Deus. Se amamos a Deus, é dom de Deus”.

Lemos, no novo prefácio dos santos, a profunda palavra
de Sto. Agostinho: “Coroando os méritos dos santos, ó
Deus, coroas teus próprios dons”. O mesmo Concilio de
Orange avisa ao pregador que “o fiel é incapaz de aceitar
a pregação evangélica sem iluminação e inspiração do
Espírito Santo… de acordo com Jo 15,6, “Sem mim nada
podeis fazer”, e 2Cor 3,5, “nossa capacidade vem de
Deus”.

Importa, pois ao apóstolo, conhecer os mecanismos
de sua profissão. Importa-lhe não esquecer que sua ação
é unicamente externa. Que traga junto também a graça interna num serviço completo.

Não se trata de resolver um dilema entre vida contemplativa e vida ativa. Ambas são apostólicas.

Escreve Sta. Gertrudes com muita graça (3,69) fazendo Jesus dizer:
“Não tenho necessidade de vossos serviços. Pra mim
tanto faz se vos ocupais em exercícios espirituais ou em
trabalhos externos…

Um grande rei não tem somente ao seu serviço damas de honra, lindamente ornamentadas, mas também valentes capitães de guerra”…

Divisão de trabalho! Mas importa que tanto a oração das damas como a ação dos guerreiros sejam serviço de Deus, isto é, atos de amor de Deus.

Teologia das Realidades Celestes

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