Se a meditação pode ser dispensada nos casos de
urgência, a presença de Deus é indispensável, diz São
Francisco de Sales.

Mas este recurso suplente, por sua vez, é problemático nos múltiplos afazeres do apostolado externo.

E sua maior ou menor facilidade depende e é originada, a meu ver, não do temperamento, ou do caráter ou do treino, mas da graça de Deus.

Retorna o velho estribilho: “pedi e recebereis”.

Sta. Joana de Chantal perguntou um dia a São
Francisco de Sales se, apurado em tantos negócios, conseguia fazer sua meditação.

“Não, respondeu; mas faço o equivalente”.

Fazemos coisas agradáveis a Deus se o abandonamos por necessidade a fim de levar auxílio a nossos irmãos.

Anedota moderna: Em vez da visita ao Santíssimo
Sacramento visito uma família pobre?

Responde Jesus:
“Deve-se fazer isto e não omitir aquilo” (Mt 23,23).

Minha visita ao pobre tenciona confirmá-lo na paciência,
fé, amor de Deus.

Para este fim disponho de dois meios: ir lá e falar, ou ficar a rezar.

O segundo meio não perde em eficiência para o primeiro.

Famoso, desde séculos, o aforismo: “é mister renunciar
à doçura da contemplação para atender às necessidades
do próximo” (Cf. II II 182,1).

É preciso distinguir:
se para atender a necessidades físicas urgentes (tratar
de doentes, por exemplo), apoiado.

Para as necessidadesnespirituais do próximo, posso ficar na solidão de Deus rezando e amando, talvez sofrendo; uma ajuda provavelmente mais eficaz.

Leio: “Os homens apostólicos não devem ser afastados
de sua vocação e missão transformando-os em
místicos”…

Oxalá que o sejam, e no mais alto grau. O apostolado
só pode lucrar com a mística. Aliás, siga cada
um sua vocação, para a qual o Mestre da seara o designou.

Para preservar-nos de toda a vanglória, estejamos
nós, apóstolos e missionários, lembrados que Deus pode
também fazer apostolado sem nós; que ele é capaz de
converter o pecador sem intermediário humano, só em
troca de oração e de preces.

“Deus não tem necessidade de ninguém para fazer bem na terra”, escreve Sta. Teresinha (Vida, C 264).

Exemplos recentes: a conversão de Cohen, dos irmãos Ratisbonne, no século passado, e, em nosso século, de Max Jacob, de Paul Claudel, de Madalena Sémer e de André Froissard (1935), e de mais dois comunistas militantes de alto coturno: Maurício Clavel e Didier Decoin (1970).

Nota: A primeira conquista de Jesus neste apostolado
é São Paulo.

Teologia das Realidades Celestes

 

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