PADROEIRA DAS MISSÕES

Ouçamos por fim a maior missionária do século XX,
Sta. Teresinha.

Oito irmãozinhos a precederam no lar, e cada vez foi
pedido, implorado um missionário.

O nono parto traz, que decepção, mais uma menina. Mas é a futura padroeira das missões. Deus atendeu as preces… a seu modo.

Sta. Teresinha tem, portanto, uma vocação apostólica,
não contemplativa. Desde os catorze anos, desde
que viu o sangue de Jesus gotejar do braço da cruz, dedicou-se ao apostolado de salvação dos pecadores (Vida,
131).

Quis entrar no Carmelo a fim de tornar-se apóstola
dos apóstolos, pela oração e pelo sacrifício. Recusou entrar numa congregação missionária, convencida que sua
atuação no Carmelo seria mais eficiente para seu apostolado.

“Pelo sofrimento pode-se salvar almas” (Carta, 23).

“Uma carmelita, que não fosse apóstola, afastar-se-ia do
fim de sua vocação, e cessaria de ser filha da seráfica
Sta. Teresa, que desejava dar mil vidas pela salvação de
uma só alma” (Carta, 177).

Sta. Teresinha acentua e põe em destaque que a melhor arma do apóstolo é seu amor por Jesus.

“Sabes que as almas fiéis me consolam, dia
por dia, das blasfêmias dos ímpios, por um simples olhar
de amor?” (Poesias).
É apóstola da palavra. Preciosa a experiência e a
doutrina sobre o apostolado da palavra que exerceu durante os cinco anos que foi mestra do noviciado como
“pincel de Jesus” (Vida, 295).

“De longe, parece cor-de-rosa fazer bem às almas, fazê-las amar mais a Deus… De perto, é bem o contrário. A cor-de-rosa desaparece. Sente-se que fazer o bem é cousa tão impossível, sem o socorro de Deus, quanto fazer brilhar o sol durante a noite”(Vida, 299).

Eis a intuição sobrenatural da palavra de Jesus:
“Sem mim nada podeis fazer”.

E: “ninguém pode chegar a
mim se o Pai não o atrair” (Jo 6,44). E é todo o mistério
da eficiência da graça eficaz ou suficiente.

Palavras externas e manobras psicológicas não movem a vontade humana no terreno sobrenatural. Deus tem de intervir.
“Maravilha de lucidez e de franqueza, Teresinha articula
as palavras sem rebuço… Confessa que antes de ter
de ocupar-se com o assunto, nutria as ilusões mais lisonjeiras sobre suas aptidões em pedagogia espiritual.

Podia julgar-se capaz de lidar eficazmente com as almas. Mas apenas teve de entrar em ação, tudo escureceu. O rosado das ilusões tão verossímeis desapareceu…

Tal veredicto sobre a ação (apostólica), lançado por uma tal santa, deveria transformar todos aqueles que estão engajados em alguma forma de apostolado: sacerdotes, religiosos, catequistas, leigos da AC, ou da Legião de Maria.

Ou jamais ouviram esta sentença? É um fato: Teresinha não teme declarar, e com que força: Atenção! O que vocês têm de fazer não é propriamente difícil, mas impossível” (Combes).

O problema que sempre retoma é a nossa palavra
apostólica, isto é, a graça externa seja acompanhada pela
graça interna.

“Quando me foi dado penetrar no santuário das almas,
vi imediatamente que a tarefa estava acima de minhas
forças. Pus-me então como uma criancinha nos braços
de Nosso Senhor, e escondendo o rosto entre seus
cabelos disse-lhe:

“Senhor, sou pequena demais para alimentar vossas filhas.

Se quiserdes dar-Ihes por mim o que convém a cada uma, enchei minha mãozinha, e sem deixar vossos braços, sem virar a cabeça, darei vossos tesouros à alma que vier pedir-me sua nutrição”…

E o grandioso remate: “Minha madre, desde que
compreendi que me era impossível fazer algo por mim
mesma, a tarefa que me impusestes não me pareceu
mais difícil. Senti que a única cousa necessária era unirme
cada vez mais a Jesus e o resto me seria dado por
acréscimo” (Vida, 299).

Solução surpreendente do problema. Mas solução
bíblica. “Confesso… tivesse me apoiado em minhas próprias forças teria logo entregue as armas”.

Teologia das Realidades Celestes

Anúncios