Metódio de Olimpo

Elaborou, no seu Banquete das Virgens, a primeira
monografia monástica.

Ele considera o estado de virgindade como instituição dos apóstolos (10,11). Parece fazer alusão a um ritual litúrgico da recepção, ou é só uma metáfora poética?

Como Orígenes, refere-se aos votos do A.T. e declara
o voto da virgindade como sendo o voto mais perfeito e
mais sublime; porque nos faz esposa de Cristo.

É oblação definitiva; mas parece, segundo 3,14, que em caso de conflito moral pode-se casar, segundo 1Cor 7.

Ainda alguns textos característicos: “A virgindade é o
grande voto. O homem pode dar ao culto de Deus, ouro,
prata, animais e até todos os seus haveres. Mas nenhum
destes pode dizer ter ofertado o grande voto; somente
aquele que doou a Deus a si mesmo, totalmente. O homem
perfeito consagra a Deus tudo, alma e corpo, como
oblação integral” (5,1).

“Que o grande voto, entre todos, é a castidade (agnéia)
afirmo e provo”. Partindo de Nm 6,4 (nazireato) fala
da castidade dos olhos, dos ouvidos, da boca, das mãos,
dos pés, do coração e conclui: “isto é santificar a castidade
(agnizein agneian), isto é fazer o grande voto” (5,4).

Convém abster-se do vinho (5,5). As virgens são
prefiguradas no A.T. pelo altar do incenso no templo (5,6).

Cartas às Virgens

Resta-nos ainda outra monografia monástica deste
século III, as duas epístolas sobre a virgindade, de autor
grego desconhecido.

Por longo tempo foram atribuídas ao
papa Clemente, +90. Por outro lado, devem ser anteriores
ao ano 300, porque ascetas e virgens ainda vivem isolados,
não em cenóbios, como a partir dos anos 300.

Também porque consiste o apostolado dos ascetas em viagens periódicas pelas cidades vizinhas, para propagar a
fé cristã, tal como aparece na Didaqué e depois desaparece
por completo na era constantina.

Aos ascetas e às virgens cabe a tarefa não só de
guardar o celibato-virgindade (restrição que estava talvez
bastante em voga na Igreja africana, a julgar pelas críticas
de Tertuliano e Cipriano), mas cabe-lhes também a prática
de toda a perfeição cristã, “imitar o Cristo em tudo”.

Há o apostolado da oração, da expulsão do demônio, da visita aos doentes. Mas a principal tarefa é o apostolado da
palavra de Deus, formando, de cidade em cidade, círculos
de leitura da Bíblia. Nas viagens hospedam-se com um
asceta-colega, não com qualquer leigo. Evitem familiaridade com as virgens.

Têm votos? Parece que sim: “Quem, perante Deus,
professou a castidade, deve cingir-se da santa força de
Deus” (13). Já possui toda a espiritualidade monástica:
castidade, pobreza, separação dos perigos do mundo,
oração, mortificação.

Falta só a vida em comum.

Respigamos algumas sentenças espirituais:
“Pensando em abraçar a vida de virgindade, irmão,
será que refletiste bastante quanto de labor e moléstia isto
implica?” (1,5).

A tua lei: “Seguir todas as pegadas de Cristo” (1,6).

“A tudo devem implicar a imagem-modelo, Cristo” (1,7).

“Homem e mulher que professaram a virgindade,
mas não querem imitar a Cristo em tudo, não se
podem salvar” (1,7).

“Deve a virgem ser santa, de corpo e espírito, perseverando
no obséquio ao seu Senhor, não voltando para trás” (1,7).

“Realmente, eles são cidade de Deus, morada
e templo no qual Deus se hospeda e mora” (1,9).

“Cada qual de nós confirme os irmãos na fé de um só Deus” (1,13).

“Devem pedir operários que, como os apóstolos,
imitam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, na solicitude pela
salvação dos homens” (1,13).

II,4 parece indicar o convívio de várias moças na
mesma casa. II,15 reprova familiaridades com mulheres,
pois essa vida exige a fidelidade, a eqüidade e a justiça”.

Resumindo o resultado para o século III, constatamos:

– Há um voto de virgindade, um compromisso que
liga em consciência.

Clemente de Alexandria (Stromata 3,1): “A continência é desprezo do corpo, em razão de uma promessa (homologia) feita a Deus”.

– O voto deve ser livre, refletido e perpétuo. Conforme
o ditado evangélico: “Quem põe a mão no arado”…

– Voto irrevogável. Cipriano e talvez Metódio são os
únicos a admitir dispensa. Clemente Alexandrino (Stromata, 3,15):

“Quem prometeu (homologesas) não se casar,
segundo o propósito da eunuquia, deve ficar celibatário”
(agametos diamenéto), ou, em 3,12; o paralelismo com o
matrimônio indissolúvel pode ter influído.

– Fica aberta a questão da homologação do voto por
um cerimonial litúrgico, como foi depois a velatio virginum (imposição do véu) no século IV.

– Um afresco, nas catacumbas do século III, é interpretado
por Rossi-Wilpert como cerimônia da velatio. Mas
a interpretação é muito contestada.

Teologia das Realidades Celestes

 

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