– A Tradição apostólica de Hipólito parece-me decidir
a questão pela afirmativa, em razão da menção das virgens
num ritual litúrgico.

– As promessas do batismo foram pronunciadas nas
mãos do bispo. O mesmo rito existe ainda no Pontifical
Romano: “Prometes conservar sempre a virgindade?”
“Prometo”. “Deo gratias”.

Novaciano exigiu dos adeptos de seu cisma o juramento
de fidelidade à liturgia. Deu-lhes a comunhão e
logo em seguida, segurando entre as suas as mãos postas
do fiel, fê-Io jurar: “Juro, pelo Corpo e Sangue de Cristo,
nunca abandonar a tua causa” (Eusébio, História Eclesiástica 6,43).

Algo análogo precederia a admissão ao
grêmio dos e das virgens. A recordar, o texto de Orígenes
(LV 3,4): “Quando fazemos votos de servi-lo na castidade,
pronunciamos os votos com nossos lábios e juramos castigar a nossa carne”. Era, portanto, o voto pronunciado em voz alta, e não prometido apenas em pensamento.

– Hábito, vestuário monacal é a simplicidade e a modéstia.
Aliás, ainda estamos no período das perseguições.
Tertuliano quer que usem em público o véu das senhoras
casadas e lamenta não haver distintivo para os ascetas
(De Virginibus velandis, 10).

Eusébio fala de uma virgem martirizada sob Diocleciano, cuja testa cingia a ínfula da virgindade, uma faixa purpúrea. Ignoramos se era costume geral.

O clero, isto é, o presidente da assembléia, bispo ou
presbítero, usava a ínfula, provavelmente branca, à semelhança do Sumo Pontífice do A.T.

– A partir de 313, monges e monjas usam hábito, minuciosamente descrito por Cassiano.

Uma nota do século seguinte: Sto. Atanásio diz que
a virgem deve usar roupa escura, sem aplicações e sem
franjas, mangas compridas, cabelos cortados e presos por
uma fita de lã, podendo conversar com os homens somente com o rosto velado.

Reza breviário, isto é, salmos à meia-noite, na aurora, na terça, na sexta, na noa. A primeira colação é feita após a noa.

Concluindo: até o século III, a virgindade é o núcleo
central, em redor do qual se cristalizou toda a espiritualidade.

É o conjunto total das práticas que quer expressar
a doação a Deus, entendida como supremo ato de amor a
Deus.

Teologia das Realidades Celestes