Archive for janeiro, 2012


Quero mergulhar nas profundezas do Espírito de Deus..

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Um sacerdote mexicano fez algumas recomendações práticas para participar da Missa..

Realismo

Todas as exigências morais devem ter a sua raiz nos Evangelhos e na vida de Jesus. O Batista foi anacoreta e Jesus, não.

Teologia do deserto e da vida angélica são simbolismos, são estruturas ou ideologias sobrepostas.

A luta anti-demoniaca não é específica do monge; foi de fato uma devoção do monacato egípcio. É só uma parcela da vida espiritual, uma devoção.

Teologia do martírio dos cristãos: não consta, ou melhor, consta que a maioria dos cristãos não irá morrer mártir.

Após dois mil anos, sabemos, por experiência, que sempre haverá alguns ornados com esta graça excepcional, mas são poucos.

Na mentalidade dos monges, era expressão do desejo tão notório, na antigüidade cristã, de participar do privilégio dos mártires: subir à visão divina logo, sem demora.

Era expressão do amor de Cristo. Se Jesus manifestou seu grande amor por nós, ao morrer na cruz (Jo 15,15), querem os monges
revidar o gesto com um martírio incruento pela áspera penitência.

Real é a teologia da imitação dos apóstolos e da
comunidade de Jerusalém. Sto. Antão resolveu ficar monge ao ouvir o evangelho dominical: “Vai, vende tudo e terás um tesouro no céu”.

Ele e os outros refugiaram-se no deserto só para ter sossego, silêncio para rezar. Celibato
e pobreza, podiam praticá-los também em Alexandria.

Mas na noite estrelada do deserto é mais fácil entoar Salmos. Cassiano, (Collationes 18,5) explica a origem do cenobitismo como retorno ao primeiro fervor apostólico em comunidades menores, porque a comunidade grande
do povo cristão era um tanto relaxada.

Século XX

A teologia hodierna, pré e pós-conciliar, oferece um quadro variado de teorias, em parte recusadas, em parte apoiadas pelo Vaticano II, em parte ainda abertas à investigação
teológica.

Desejamos investigar qual o essencial
da espiritualidade monástica, da vida religiosa
consagrada; qual a diferença específica da espiritualidade cristã geral, ou de espiritualidade do laicato; qual o característico
da vida consagrada, quais seus componentes
essenciais, válidos em todos os tempos.

Passamos em revista as principais opiniões, que vão da identificação formal da espiritualidade monástica com a santidade cristã, até um outro extremo de um “tanto faz”.

Vida consagrada é o núcleo fervoroso dentro da
Massen-kirche (do povo de Deus) ou é só sinal, bandeirinha (às vezes de “faz-de-conta”)? Por que votos? Por que três?

Um grupo de teólogos considera pobreza, virgindade, obediência como elementos formais da perfeição cristã, portanto, obrigatórios para todo batizado.

No outro extremo […] está o grupo do tanto faz. Com ou sem votos pode-se ficar sumamente santo.

Os três votos não ajudam grande coisa no progresso espiritual, às vezes até atrapalham:
Gerkin, Rahner, Ranwez.

O Vaticano II recusou os dois extremos e apresentou, pela primeira vez, num documento
oficial do magistério, a teologia da vida consagrada.

Teologia das Realidades Celestes

TEOLOGIA

A teologia da vida religiosa-monástica evoluiu não somente na sua organização, mas também na sua ideologia teológica.

Foi uma lenta elaboração dos dados evangélicos no conjunto da evolução dos dogmas. Diz o Concílio que foi crescendo como uma árvore a partir de pequena semente (LG 43).

Através da floração variada e colorida da vida monástica iremos investigar sua natureza
específica: sua razão formal de ser e de existir.

O primeiro monge-teólogo é Orígenes. Quase todos os elementos já se encontram, dispersos aqui, acolá, em seus comentários homiléticos da Bíblia.

O grande surto monacal do século quarto elaborou uma completa espiritualidade,
teologia mais intuitiva que reflexiva; um leque
que se abre em cinco palhetas (CODINA, Teologia de La vida religiosa, 1968.)

Teologia do deserto

Assim como o mistério pascal começou com a peregrinação de Israel no deserto, e Cristo iniciou a vida apostólica passando quarenta dias na oração e na penitência do deserto, assim os discípulos da nova aliança
recolhiam-se na solidão do deserto, a fim de encontrar o mistério de Deus mais facilmente do que no reboliço do mundo humano.

O deserto do Egito e Arábia, mais tarde
as matas extensas da Europa medieval forneceram um habitat natural, difícil de reconstruir-se no século XX.

Teologia do martírio

O cristão perfeito, o santo, é o mártir. Derramando vida e sangue por Cristo, realiza a mais aproximada identificação com o Redentor.

Realiza a expressão mais palpável do Amor, segundo João 15,13.

Teologia da Imitação dos apóstolos

Os monges, incluindo-se os anacoretas, consideram-se como herdeiros autênticos da vida que levavam os apóstolos e a primeira comunidade de Jerusalém. A conferir,
Paládio, Evrágio Pôntico.

Teologia da luta contra os demônios

Cristo e seus discípulos expulsaram os demônios. E o povo cristão dos séculos IV-V faz romarias aos monges penitentes do deserto, pedindo-Ihes oração e bênção para
livrá-Io de todo o mal. Expulsar maus espíritos tornou-se uma espécie de apostolado monacal.

Teologia da vida angélica

O monge vive já a vida dos anjos. Não pelo voto da virgindade, mas pela oração ininterrupta, pelo culto litúrgico perante o trono de Deus, dia e noite.

Eis a espiritualidade monacal primordial. Admirável em sua generosidade, realmente um sinal luminoso dos valores do além, mas é preciso ver tudo com realismo.

Teologia das Realidades Celestes

São Bento.

A grande novidade é que São Bento exigiu
uma vestição do hábito monástico, um noviciado regular, e no fim, uma profissão religiosa, consistindo numa promessa
oral e numa petitio escrita (pedido escrito).

É a figura jurídica de promessa jurada do direito romano.

Mas aqui, a promessa é feita a Deus e o documento assinado, é depositado sobre o altar.

O conteúdo da promessa é tríplice: obediência (na maioria dos códigos medievais mencionado em primeiro lugar); conversão moral; estabilidade local no mosteiro.

São Bento exigiu esta estabilidade local para cortar o uso e abuso dos monges andarilhos que, sob pretexto de peregrinações piedosas, rodavam pelo continente todo, passando anos fora do convento, dando bons e maus exemplos, conforme o caso.

Para a pobreza está previsto e prescrito a renúncia formal de todos os bens e fazendas, desde o noviciado.

Mas São Bento esqueceu o voto de castidade, de
virgindade? Oh, não! Pois ele exige quase o voto do mais perfeito. Exige, sob voto, uma conversão radical e total.

Aliás, o termo não é conversão, mas vivência virtuosa.

Conversatio é tradução literal de um conceito monástico grego: praktiké ethike. Cassiano nela distingue três graus:

– A renúncia ou primeira conversão, conversão corporal e local, consistindo na renúncia a um lar, à riqueza e ao convívio humano. Portanto, celibato, pobreza e clausura.

– A segunda renúncia, ou renúncia do coração, cujo fim é a pureza da alma é chamada em grego praktiké ethike, a prática moral. Abrange tudo o que hoje é chamado ascese, prática das virtudes, perfeição espiritual, santidade.

– O terceiro grau de Cassiano, a terceira renúncia, é a contemplação (theoretiké, teoria), a qual, sendo infusa, fica na alçada de Deus.

O voto de São Bento é portanto, muito exigente. Toda a ascese, toda a prática das virtudes cai sob a sua lei.

A situação monástica continuou assim até o início da teologia escolástica, no século XII.

Partindo do conceito de doação a Deus, os teólogos analisaram os haveres do
ser humano, e concluíram que os três votos, de pobreza, castidade e obediência, abrangem a totalidade da pessoa humana a ser entregue ao poder e aos cuidados de Deus.

São Tomás recolhe depois os frutos maduros da pesquisa teológica, mas acentua com mais vigor que o núcleo central é o amor de Deus.

Vida religiosa monástica é, segundo ele, um modo de praticar o amor de Deus.

Não o único, mas provavelmente, o mais direto e o mais eficiente.

Teologia das Realidades Celestes

Século IV: Pacômio

De Pacômio, fundador dos conventos (seus conventos
chegaram a contar cinco mil monges) e do seu
famoso discípulo, Schnudi, foi-nos conservada a primeira
fórmula de profissão, exigida sob juramento, na incorporação ao cenóbio. Schnudi gostava do método forte.

Sucedeu ao seu tio. Reorganizou tudo. Exigiu, por escrito,
observância da regra aos trinta monges que havia, número
que chegou a 2.200 monges e 1.800 monjas num cenóbio
vizinho.

Eis o texto da profissão chamada aliança: “Juro
(homologo) perante Deus, no seu santo lugar, que a palavra que sai da minha boca é testemunha, Não quero, de modo algum, manchar meu corpo. Não quero roubar. Não quero fazer juramentos falsos. Não quero mentir. Não
quero fazer secretamente o mal.

Se eu transgredir o que jurei, não quero entrar no reino dos céus. Pois, eu o vejo, Deus, diante do qual eu pronunciei o texto desta aliança (diathéke), destruiria minha alma e meu corpo no fogo do
inferno, por ter transgredido a palavra da aliança que pronunciei”.

O texto não indica limite de prazos; vale, pois, para
sempre. O teor espiritual é de principiantes. Mas foram
admiráveis no rigor da penitência (trabalho manual) e na
recitação assídua dos Salmos.

São Basílio

São Basílio exigiu profissão oral da virgindade (homologia
parthenias), e isso perante testemunhas, de preferência
perante o bispo diocesano.

Não indica o cerimonial em uso. O voto é perpétuo: “Quem se consagrou a Deus e depois passou a outro estado de vida, é sacrílego, pois qual ladrão roubou um donativo consagrado a Deus”.

Considera as virgens infiéis como adúlteras. Mas também
fixou idade mínima para a profissão, de dezesseis a desessete anos.

Também para São João Crisóstomo é um pacto feito
com Deus; é irrevogável.

Efrém, sírio: “Irmãos, somos obrigados a perseverar na via em que entramos”.

Calcedonia

O Concilio de Calcedonia, 451, cânon 16, ratifica a
legislação usual e estabeleceu: não podem contrair matrimônio.

Se o fazem, estão excomungados. “Mas autorizamos
o bispo a usar de misericórdia”. Retornemos ao
Ocidente.

Consagração das Virgens

A consagração das virgens receberá grande destaque
no rito latino, a partir da paz constantiniana. É até
hoje reservada ao bispo. Era precedida do propósito praticado por vários anos; era por assim dizer o voto simples, sendo a consagração ritual, o voto solene.

Quanto à idade: inicialmente “segundo o parecer do
Bispo”; depois a Espanha fixou-a em quarenta anos; Cartago, em vinte e cinco anos, o que prevaleceu.

Um texto do Pontifical Romano fala de sessenta anos. Assim seria, em vez do início de uma vida nova, prêmio de boa conduta.

Mas o texto provavelmente faz confusão com a admissão
das diaconisas. Mas também houve casos de meninas
consagradas aos doze anos, idade legal para casamento
no direito civil romano.

Uma Preciosa, falecida nessa idade no ano 401, tem
sua inscrição no cemitério de Calisto. Jerônimo fala de
uma Ansela, consagrada na mesma idade.

O nome oficial é imposição do véu, indicando que o
ritual foi copiado da cerimônia matrimonial. Em razão do
simbolismo, esposa de Cristo, nunca foi aplicado aos
monges.

Para maior realce, a cerimônia era reservada ao
Bispo. Sto. Ambrósio, que deu o véu à sua jovem irmãzinha, foi muito procurado, até por moças da África, Cartago.

A infração do voto por casamento posterior, é assunto
de três cartas pontifícias, de Sirício, Inocêncio I e
Leão Magno. Se a virgem recebera o véu, cometeu adultério; devem separar-se.

E Inocêncio I exige que o homem se faça monge. Se a virgem fez somente propósito, sem ter recebido a consagração litúrgica, parece que o matrimônio
era tido por válido; mas deve fazer penitência,
segundo Sirício, e não pequena.

Está visto que o ‘propositum’ era considerado como voto, obrigando em consciência.

Teologia das Realidades Celestes

 

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