Século IV: Pacômio

De Pacômio, fundador dos conventos (seus conventos
chegaram a contar cinco mil monges) e do seu
famoso discípulo, Schnudi, foi-nos conservada a primeira
fórmula de profissão, exigida sob juramento, na incorporação ao cenóbio. Schnudi gostava do método forte.

Sucedeu ao seu tio. Reorganizou tudo. Exigiu, por escrito,
observância da regra aos trinta monges que havia, número
que chegou a 2.200 monges e 1.800 monjas num cenóbio
vizinho.

Eis o texto da profissão chamada aliança: “Juro
(homologo) perante Deus, no seu santo lugar, que a palavra que sai da minha boca é testemunha, Não quero, de modo algum, manchar meu corpo. Não quero roubar. Não quero fazer juramentos falsos. Não quero mentir. Não
quero fazer secretamente o mal.

Se eu transgredir o que jurei, não quero entrar no reino dos céus. Pois, eu o vejo, Deus, diante do qual eu pronunciei o texto desta aliança (diathéke), destruiria minha alma e meu corpo no fogo do
inferno, por ter transgredido a palavra da aliança que pronunciei”.

O texto não indica limite de prazos; vale, pois, para
sempre. O teor espiritual é de principiantes. Mas foram
admiráveis no rigor da penitência (trabalho manual) e na
recitação assídua dos Salmos.

São Basílio

São Basílio exigiu profissão oral da virgindade (homologia
parthenias), e isso perante testemunhas, de preferência
perante o bispo diocesano.

Não indica o cerimonial em uso. O voto é perpétuo: “Quem se consagrou a Deus e depois passou a outro estado de vida, é sacrílego, pois qual ladrão roubou um donativo consagrado a Deus”.

Considera as virgens infiéis como adúlteras. Mas também
fixou idade mínima para a profissão, de dezesseis a desessete anos.

Também para São João Crisóstomo é um pacto feito
com Deus; é irrevogável.

Efrém, sírio: “Irmãos, somos obrigados a perseverar na via em que entramos”.

Calcedonia

O Concilio de Calcedonia, 451, cânon 16, ratifica a
legislação usual e estabeleceu: não podem contrair matrimônio.

Se o fazem, estão excomungados. “Mas autorizamos
o bispo a usar de misericórdia”. Retornemos ao
Ocidente.

Consagração das Virgens

A consagração das virgens receberá grande destaque
no rito latino, a partir da paz constantiniana. É até
hoje reservada ao bispo. Era precedida do propósito praticado por vários anos; era por assim dizer o voto simples, sendo a consagração ritual, o voto solene.

Quanto à idade: inicialmente “segundo o parecer do
Bispo”; depois a Espanha fixou-a em quarenta anos; Cartago, em vinte e cinco anos, o que prevaleceu.

Um texto do Pontifical Romano fala de sessenta anos. Assim seria, em vez do início de uma vida nova, prêmio de boa conduta.

Mas o texto provavelmente faz confusão com a admissão
das diaconisas. Mas também houve casos de meninas
consagradas aos doze anos, idade legal para casamento
no direito civil romano.

Uma Preciosa, falecida nessa idade no ano 401, tem
sua inscrição no cemitério de Calisto. Jerônimo fala de
uma Ansela, consagrada na mesma idade.

O nome oficial é imposição do véu, indicando que o
ritual foi copiado da cerimônia matrimonial. Em razão do
simbolismo, esposa de Cristo, nunca foi aplicado aos
monges.

Para maior realce, a cerimônia era reservada ao
Bispo. Sto. Ambrósio, que deu o véu à sua jovem irmãzinha, foi muito procurado, até por moças da África, Cartago.

A infração do voto por casamento posterior, é assunto
de três cartas pontifícias, de Sirício, Inocêncio I e
Leão Magno. Se a virgem recebera o véu, cometeu adultério; devem separar-se.

E Inocêncio I exige que o homem se faça monge. Se a virgem fez somente propósito, sem ter recebido a consagração litúrgica, parece que o matrimônio
era tido por válido; mas deve fazer penitência,
segundo Sirício, e não pequena.

Está visto que o ‘propositum’ era considerado como voto, obrigando em consciência.

Teologia das Realidades Celestes

 

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