São Bento.

A grande novidade é que São Bento exigiu
uma vestição do hábito monástico, um noviciado regular, e no fim, uma profissão religiosa, consistindo numa promessa
oral e numa petitio escrita (pedido escrito).

É a figura jurídica de promessa jurada do direito romano.

Mas aqui, a promessa é feita a Deus e o documento assinado, é depositado sobre o altar.

O conteúdo da promessa é tríplice: obediência (na maioria dos códigos medievais mencionado em primeiro lugar); conversão moral; estabilidade local no mosteiro.

São Bento exigiu esta estabilidade local para cortar o uso e abuso dos monges andarilhos que, sob pretexto de peregrinações piedosas, rodavam pelo continente todo, passando anos fora do convento, dando bons e maus exemplos, conforme o caso.

Para a pobreza está previsto e prescrito a renúncia formal de todos os bens e fazendas, desde o noviciado.

Mas São Bento esqueceu o voto de castidade, de
virgindade? Oh, não! Pois ele exige quase o voto do mais perfeito. Exige, sob voto, uma conversão radical e total.

Aliás, o termo não é conversão, mas vivência virtuosa.

Conversatio é tradução literal de um conceito monástico grego: praktiké ethike. Cassiano nela distingue três graus:

– A renúncia ou primeira conversão, conversão corporal e local, consistindo na renúncia a um lar, à riqueza e ao convívio humano. Portanto, celibato, pobreza e clausura.

– A segunda renúncia, ou renúncia do coração, cujo fim é a pureza da alma é chamada em grego praktiké ethike, a prática moral. Abrange tudo o que hoje é chamado ascese, prática das virtudes, perfeição espiritual, santidade.

– O terceiro grau de Cassiano, a terceira renúncia, é a contemplação (theoretiké, teoria), a qual, sendo infusa, fica na alçada de Deus.

O voto de São Bento é portanto, muito exigente. Toda a ascese, toda a prática das virtudes cai sob a sua lei.

A situação monástica continuou assim até o início da teologia escolástica, no século XII.

Partindo do conceito de doação a Deus, os teólogos analisaram os haveres do
ser humano, e concluíram que os três votos, de pobreza, castidade e obediência, abrangem a totalidade da pessoa humana a ser entregue ao poder e aos cuidados de Deus.

São Tomás recolhe depois os frutos maduros da pesquisa teológica, mas acentua com mais vigor que o núcleo central é o amor de Deus.

Vida religiosa monástica é, segundo ele, um modo de praticar o amor de Deus.

Não o único, mas provavelmente, o mais direto e o mais eficiente.

Teologia das Realidades Celestes

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