Realismo

Todas as exigências morais devem ter a sua raiz nos Evangelhos e na vida de Jesus. O Batista foi anacoreta e Jesus, não.

Teologia do deserto e da vida angélica são simbolismos, são estruturas ou ideologias sobrepostas.

A luta anti-demoniaca não é específica do monge; foi de fato uma devoção do monacato egípcio. É só uma parcela da vida espiritual, uma devoção.

Teologia do martírio dos cristãos: não consta, ou melhor, consta que a maioria dos cristãos não irá morrer mártir.

Após dois mil anos, sabemos, por experiência, que sempre haverá alguns ornados com esta graça excepcional, mas são poucos.

Na mentalidade dos monges, era expressão do desejo tão notório, na antigüidade cristã, de participar do privilégio dos mártires: subir à visão divina logo, sem demora.

Era expressão do amor de Cristo. Se Jesus manifestou seu grande amor por nós, ao morrer na cruz (Jo 15,15), querem os monges
revidar o gesto com um martírio incruento pela áspera penitência.

Real é a teologia da imitação dos apóstolos e da
comunidade de Jerusalém. Sto. Antão resolveu ficar monge ao ouvir o evangelho dominical: “Vai, vende tudo e terás um tesouro no céu”.

Ele e os outros refugiaram-se no deserto só para ter sossego, silêncio para rezar. Celibato
e pobreza, podiam praticá-los também em Alexandria.

Mas na noite estrelada do deserto é mais fácil entoar Salmos. Cassiano, (Collationes 18,5) explica a origem do cenobitismo como retorno ao primeiro fervor apostólico em comunidades menores, porque a comunidade grande
do povo cristão era um tanto relaxada.

Século XX

A teologia hodierna, pré e pós-conciliar, oferece um quadro variado de teorias, em parte recusadas, em parte apoiadas pelo Vaticano II, em parte ainda abertas à investigação
teológica.

Desejamos investigar qual o essencial
da espiritualidade monástica, da vida religiosa
consagrada; qual a diferença específica da espiritualidade cristã geral, ou de espiritualidade do laicato; qual o característico
da vida consagrada, quais seus componentes
essenciais, válidos em todos os tempos.

Passamos em revista as principais opiniões, que vão da identificação formal da espiritualidade monástica com a santidade cristã, até um outro extremo de um “tanto faz”.

Vida consagrada é o núcleo fervoroso dentro da
Massen-kirche (do povo de Deus) ou é só sinal, bandeirinha (às vezes de “faz-de-conta”)? Por que votos? Por que três?

Um grupo de teólogos considera pobreza, virgindade, obediência como elementos formais da perfeição cristã, portanto, obrigatórios para todo batizado.

No outro extremo […] está o grupo do tanto faz. Com ou sem votos pode-se ficar sumamente santo.

Os três votos não ajudam grande coisa no progresso espiritual, às vezes até atrapalham:
Gerkin, Rahner, Ranwez.

O Vaticano II recusou os dois extremos e apresentou, pela primeira vez, num documento
oficial do magistério, a teologia da vida consagrada.

Teologia das Realidades Celestes

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