Passemos em revista as diversas teorias.

Dublanchy

A perfeição cristã, segundo Sto. Tomás, consiste formalmente na caridade, na perfeição do amor de Deus.

É possível alcançar essa perfeição do amor sem observar os três conselhos evangélicos. Mas eles são auxílios eficazes, removendo obstáculos.

Por via de regra não se consegue subir sem praticar obras que vão além dos preceitos,
das exigências da lei.

Royo Marin

A perfeição consiste no cumprimento dos preceitos.
Os conselhos evangélicos são instrumentos, meios úteis
O cristão leigo deve possuir o espírito dos conselhos.

Guerrero

Considera os três conselhos evangélicos como essência formal da perfeição cristã. Mas aplicando uma distinção escolástica: os conselhos evangélicos impõem-se a
todos apenas como vontade divina de beneplácito; e somente para alguns impõem-se como vontade divina conseqüente, isto é, para os religiosos por vocação.

Segundo Guerrero, parece pois ser impossível a suma perfeição sem observar os conselhos evangélicos de fato.

Aguilar

A perfeição, a santidade cristã consiste na caridade de Deus e do próximo. Mas a perfeição dessa caridade requer observância dos conselhos evangélicos.

Façamos logo as objeções:
– Se os conselhos evangélicos são necessários para a perfeição, por que são só conselhos?
Aguilar responde:
– Porque obrigatório é só um mínimo grau de caridade (caritas sufficiens), que garante o acesso à perfeição celeste.

A caridade perfeita, que constitui o modo perfeito de cumprir o primeiro mandamento, não é exigida nem obrigatória para todos… E os Evangelhos?
– Porque (razão teológica) assim o amor divino fica livre, não imposto por lei… Ora, eu acho que amor de Deus é lei para toda criatura.
– Os conselhos são necessários para o amor perfeito, caem portanto também debaixo do preceito da caridade, portanto sob lei.
Aguilar responde:
– É perfeito quem tem caridade de Deus, mesmo que seja só no ínfimo grau (sic).
– A caridade perfeita não obriga como uma realização atual, mas como meta a ser atingida.
– A caridade perfeita consiste em “tender perfeitamente, segundo todas as faculdades da alma, para alcançar a caridade celeste, ou aproximar-se dela o mais possível”.

“Esta perfeição não é imposta por nenhum preceito, nem pelo preceito da caridade (sic), nem pelos demais mandamentos. É aconselhada a todos os cristãos como o melhor. Obriga só a quem fez votos religiosos.

“Os seculares não são obrigados ao amor perfeito.
São convidados, chamados; pois os conselhos evangélicos dirigem-se a todos”.

Para quem está impedido pelo seu estado (matrimônio) “está sempre aberta a possibilidade de desprender-se inteiramente de todas as coisas…
não há dupla moral, nem duas ascéticas, nem duas perfeições”.

Sanchis critica com razão: estado religioso, monopólio da perfeição, tal seria ao justo título do livro de Aguilar.

Nicolas M. J.

 

Religiosos por excelência, religiosos no sentido evangélico, os primeiros religiosos são os apóstolos: seguiram, acompanharam Jesus até o fim.

As renúncias impostas ou propostas por Jesus, continência, obediência, pobreza, são o programa da vida perfeita. E é em germe a
vida religiosa-monástica.

Principio básico: privar-se de todos os bens transitórios que é possível dispensar na vida terrestre, a fim de salvaguardar o coração só para Deus, livre para amá-Io e ocupar-se só com ele.

 A santidade consiste no amor de Deus, Os conselhos evangélicos são meios para chegar
até lá; por sinal, são meios necessários.

Removem alguns obstáculos, empecilhos possíveis em que possa enroscar-se nosso afeto,

O vazio criado pelas renúncias esteja recheado
de amor de Deus.

Teologia das Realidades Celestes

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