Martelet

O mistério do amor esponsal de Cristo para com a Igreja tem no matrimônio cristão seu sinal, e na virgindade sua realização.

A virgindade, o amor preferencial de Cristo,
dá o sentido à vida religiosa. Sua origem não é hierárquica, mas carismática. Não pertence à estrutura institucional da Igreja, mas à estrutura pneumática, carismática.

A hierarquia deve controlar o carisma, mas não extingui-lo.

Tillard

No âmago da Igreja, o religioso é o sacramento-sinal e testemunha da presença de Deus. A vida religiosa concentra-se na essencial e mais profunda experiência evangélica, na linha vertical (Os religiosos hoje, Ed. Loyola,
1970).

Lavaud

“Os três votos não são a perfeição, mas instrumentos de escol para alcançá-la… A fim de chegar à santidade não é necessário observar os três conselhos evangélicos, com ou sem votos.

O que é necessário é ter o espírito deles, estar disposto interiormente a observá-los,
se Deus o quiser ou mandar. A prática efetiva de um ou outro, ou dos três, preparam excelentemente para a perfeição.
Eles não são a perfeição.

Thils

Os conselhos evangélicos, os três votos são meros instrumentos da perfeição, “instrumentos excelentes, mas não os únicos, nem necessariamente os melhores”. Prova:
o bispo está em estado de perfeição, segundo a escola, sem estar preso a nenhum conselho evangélico, afora o celibato.

O sacerdote está acima do religioso, do monge,
pois participa do estado de perfeição do bispo. É co-redentor,
“Esta vida de co-redentor não está orientada à
santificação pessoal, mas comporta atividades que em si são altamente santificadoras, e por outro lado implicam uma exigência maior de perfeição que a de um simples religioso”.

Hausherr

“Não é a profissão monástica como tal, é o próprio cristianismo que impõe a tendência à perfeição. A espiritualidade monástica identifica-se com a espiritualidade cristã, no fim e nos meios principais.

As diferenças não atingem nada de essencial, mas só alguns meios externos.”Instrumento da virtude” diz Cassiano (Collationes 11,7), palavra que Sto. Tomás acolheu; há outros caminhos
de perfeição.

Mas este caminho monástico realiza mais perfeitamente, mais segura e mais plenamente nossa assimilação com Cristo, na caridade”,

Hertling

“Para aqueles que não pertencem ao estado religioso, a vida religiosa pode e deve ser norma e modelo de perfeição cristã”.

Truhlar

“A vida religiosa não é o estado normal da vida cristã.
Há uma vocação ao matrimônio, da parte de Deus, e essa vocação não implica por si só um grau menor de santidade.

Os três conselhos evangélicos e a vida comum monástica são santificantes. E, como formas elevadas de abnegação, são fundamento de toda santidade. Mas não haveria também outras formas de abnegação? Desapego dos bens materiais, do prazer sensível e da independência entram, de algum modo, em toda santidade.

Mas para o cristão leigo, há muitas outras focalizações destas renúncias”.

Périnelle

“Mt 19 abrange de fato todos os três conselhos evangélicos.

Esses conselhos de Cristo foram um fermento,
e levaram as almas fervorosas a dar-se e consagrar-se.
A organização (monástica) fez-se pouco a pouco e continua a desenvolver-se até hoje”.

Galot

A vida religiosa é uma consagração especial; não somente uma plenificação da consagração batismal, embora esteja na mesma linha. Os três conselhos constituem uma imitação e seqüela de Cristo, que nos é proposta no
Evangelho; estabelecem uma consagração particular ao serviço de Deus e do Corpo místico.

Vida religiosa é sinal, por seus valores espirituais.

Sinal e convite a uma entrega mais ampla ao serviço, ao amor de Deus. É posto de vanguarda. Sinal escatológico, sinal de transcendência e das exigências do reino.

Ciappi

A vida religiosa é o estado mais excelente, não só de maneira relativa, subjetiva, mas de um modo objetivo, válido para todos, pois se o matrimônio simboliza a união mística de Cristo com a Igreja, a consagração religiosa já
é realização, em grau eminente ou ao menos em suas primícias.

O Vaticano II, em LG 44, considera o celibato
como superior ao matrimônio. Segundo LG 42 ele é um estímulo de fecundidade espiritual. LG 42, recomenda aos leigos (1Cor 7,31) “Que usem deste mundo como se não o fruíssem; porque é transitória a figura deste mundo”.

Teologia das Realidades Celestes

Anúncios