Carpentier

De vários escritos de Carpentier (Ed. Vozes) relevamos as suas três teses:

1. O elemento essencial da vida religiosa é a filiação divina.

Daí também a importância do voto de obediência, porque o Filho de Deus desceu à terra para obedecer à vontade do Pai.

Objeção: Filho de Deus é também o cristão leigo. Ele também é sinal visível da filiação divina.

2. O núcleo central da vida consagrada é o batismo na morte de Cristo.

Objeção: Certo, mas os leigos foram batizados na morte de Cristo. Não se vê porque o monge tem de fazer algo a mais

3. Dentro da Igreja das massas (Massenkirche) os religiosos constituem o núcleo fervoroso. Ou, digamos com mais humildade, são militantes e ativistas do reino, em destaque da grande multidão.

Boaventura Kloppenburg

Frei Boaventura submeteu os textos conciliares a uma análise luminosa, convincente.

Destacamos os princípios básicos que o Concílio põe em destaque (Cf. Revista
Eclesiástica Brasileira, 1970, 68s., ou Eclesiologia do Vaticano lI, 1971).

1. O aspecto teocêntrico da vida religiosa: consagração a Deus, entrega a Deus, como pleno desenvolvimento do Batismo.

2. O aspecto eclesial: a vida religiosa pertence à vida da Igreja, inabalável, inconcussamente, não à estrutura hierárquica, mas à carismática.

3. Aspecto escatológico: seu valor de sinal. A natureza do estado religioso não é sinal; mas valores teológicos da vida consagrada é que são sinais.

O estado religioso quer levar a consagração batismal à perfeição dos conselhos evangélicos.

A profissão dos conselhos evangélicos ajuda a libertar-nos dos impedimentos que poderiam dificultar o fervor da caridade e da perfeição no culto divino. Paulo VI (1964):

“A profissão dos conselhos evangélicos é um acréscimo à consagração própria do batismo, acréscimo este que a completa por um serviço total”.

“Em outro contexto ensina o Concílio que o batismo por si, é só o início e o exórdio que tende à plenitude da vida em Cristo” (OR 22b).

E que o batismo dá-nos o sinal e o dom que nos torna possível e necessário lutar pela perfeição (PO 12).

Isso quer dizer que o batismo é apenas
um grandioso começo, que deve desabrochar e tender à perfeição.

A vida religiosa quer favorecer ou facilitar a mais completa realização das múltiplas virtualidades que o batismo colocou dentro de nós.

A vida religiosa é a expressão mais perfeita da graça batismal (cf. PO 52).

Teologia das Realidades Celestes