Mascarenhas Roxo

“A condição do reino impõe luta e ascese. A generosidade da vida religiosa caracteriza-se pela lógica do evangelho…é uma abertura à Palavra sem medida…”

E o estado mais conforme à natureza da caridade” (p. 14).

“Não se trata de um estado à margem da vida cristã comum…

Por seu caráter teológico e teologal é um estado
intensamente radicado no interior do mistério cristão…
Longe de ser um estado que se acrescenta à Igreja, é o estado-profundidade da vida teologal da Igreja” (29).

Mascarenhas Roxo escreveu um estudo simpático e profundo, cuja leitura se impõe: Os Religiosos, Ed. Herder, 1969. “A consagração pelos votos, vida de plenificação da graça batismal”, segundo LG 44.

O batismo é a graça-base, a ser desenvolvida em todas as suas modalidades, algumas das quais pedem ulteriores consagrações sacramentais (crisma, penitência, eucaristia, ordem, matrimônio, unção).

Outras pedem carismas e graças, suscitando
consagrações pessoais. Consagração ao serviço de Deus: alguém se escraviza, mancipatur, por e para amar a Deus” (72).

“O estado religioso, após o martírio, é o caminho mais eficaz da perfeição” (LG 42.73). “O hábito religioso é parte da estrutura de vida.

Segundo o Concílio é sinal de consagração… Quem se gloria de uma consagração pública,
vai publicá-la também, e a consagração terá o seu sinal diante dos homens.

Quem dela se envergonha, encontrará
todos os pretextos para escondê-Ia. Para todos
permanece a palavra do Senhor: “quem me confessar diante dos homens” (Mt 10,33). (168)

Rahner

Os religiosos são sinais da missão escatológica da Igreja, enquanto o leigo é o sinal externo da missão cósmica da Igreja.

As ordens religiosas são necessárias, porque
a Igreja tem de manifestar também a faceta escatológica de sua natureza.

“Os conselhos evangélicos são um elemento indispensável e essencial da Igreja, porquanto
eles revelam e manifestam palpavelmente o que a Igreja vive internamente: o amor divino que transcende o mundo escatologicamente” (Escritos III 70, 1949).

Como a Igreja toda é um sacramento, assim a vida religiosa é também um sinal simbólico. Não é sinal sacramental, pois não é sinal visível de uma graça invisível; não produz graça; é o que se chama símbolo.

“A maneira aburguesada e acolchoada como é vivida mui discretamente a vida religiosa, nas ordens religiosas de hoje, obnubila
seu sentido de sinal…

Professar que a Igreja não é deste mundo, que ela vive uma vida que medida pelas perspectivas cósmicas, é escândalo e estultície” (III 69).

A vida religiosa, em concreto os três votos, não são meios de maior perfeição espiritual… Tanto mais que a virgindade expõe a sérios perigos de ofender gravemente a Deus; só a renúncia não é um meio para maior amor a Deus; em todo caso, não para a maioria da humanidade”.

Rahner desenvolve suas idéias novamente na revista Geist & Leben, 1964, 17ss. Rejeita a idéia tradicional que a vida monástica, consagrada através dos votos, seja um meio favorável para alcançar a perfeição. Sua solução: vida religiosa e seus votos são um ato de fé (e conseqüentemente, um ato de amor).

Quem crê no mundo do além e renuncia, por causa disto, a valores reais da terra, realiza uma expressão visível e real desta sua fé no além e na veracidade da revelação.

Não é o único modo de expressar sua fé, mas é um modo. Este ato terá tanto mais valor quanto mais os bens renunciados (matrimônio,
riqueza, poder) foram anteriormente apreciados e reconhecidos em seu valor real.

Mas, por que renunciar? “Porque, via de regra, o homem normalmente não escolhe o matrimônio, riqueza, poder porque ama a Deus, mas porque já está metido neles e já os assumiu antes de confrontar-se expressamente
com o amor de Deus… principalmente em nossa situação infralapsária” (1964, 232).

O princípio que os conselhos evangélicos são o melhor meio para o perfeito amor de Deus é relativo. Vale apenas para quem foi chamado;
para os outros, não (1964,27).

Crítica: o Concilio não aceitou as idéias de Rahner.
A vida religiosa não é só sinal, bandeirinha, mas está repleta de valores teológicos (Cf. também Kloppenburg, I.c.)

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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