Concílio

1. Origem bíblica da vida monástica: “Os conselhos evangélicos, da castidade consagrada a Deus, da pobreza, da obediência, baseiam-se nas palavras e nos exemplos do Divino Mestre, e são sinal luminoso do reino celeste”
(PC 1; castidade, PC 12; pobreza, PC 13; obediência, PC 14).

2. A vida religiosa é doação a Deus, e consagração ao culto de Deus. Consagração é um ato religioso pelo qual, pessoa ou objeto é subtraído ao uso profano e reservado
ao serviço e culto a Deus.

A bela expressão de LG 44: o religioso “entrega-se de um modo total a Deus, sumamente amado, de tal modo, que por um novo e peculiar titulo é ordenado ao serviço de Deus”.

O Concilio usa um vocábulo expressivo, o vocábulo emancipação.

Os religiosos fazem o contrário; não se libertam de Deus, mas se prendem, se amarram, se escravizam a Deus. É propriedade, escravo de Deus, do Senhor supremo. É “vida doada a Deus” (PC 1).

É doação vitalícia (LG 47). O Concilio repete-o três vezes. “A doação que abrange a vida toda” (PC 1). “Vivam unicamente para Deus; pois consagraram toda a sua vida ao serviço
de Deus… Fiéis à sua profissão, abandonando tudo por Cristo, sigam-no como o Único necessário. Procurando, antes de tudo e tão somente a Deus, devem unir à contemplação
o amor apostólico” (PC 5).

3. Essa consagração ao culto de Deus enxerta-se na consagração batismal. Visa a radicalização dessa oblação.

Visa a plenificação da graça batismal (Roxo; LG 44). “Consagração especial que está radicada na consagração do batismo e a exprime mais plenamente” (PC 5).

4. É imitação e seqüela de Cristo Salvador, visando intensificar nossa incorporação no corpo místico. Os conselhos evangélicos “possibilitam ao cristão conformar-se
melhor ao gênero de vida virginal e pobre que Cristo Senhor escolheu para si e que a Virgem Mãe também abraçou” (LG 46).

O Documento PC insiste ainda mais nessa seqüela do Redentor. “Seguem a Cristo que, sendo virgem e pobre, pela obediência até à morte de cruz redimiu e santificou os homens. (…) Quanto mais fervorosamente se unem
a Cristo (…) tanto mais rica se torna a vida da Igreja e mais fecundo seu apostolado” (PC 1). A vida religiosa
antes de tudo se orienta no sentido de os membros seguirem a Cristo (PC 2).

“O estado religioso imita e representa na Igreja aquela forma de vida que o Filho de Deus assumiu ao entrar no mundo e que propôs aos discípulos que o seguiam” (LG 44).

5. Os três votos visam afastar obstáculos à plena expansão da graça batismal. “Pela profissão dos conselhos evangélicos, o cristão visa livrar-se dos impedimentos que o possam afastar do fervor da caridade” (LG 44).

“Os conselhos evangélicos contribuem, não pouco, para a purificação do coração e a liberdade espiritual.

Estimulam continuamente o fervor da caridade” (LG 46).
O religioso renuncia a valores humanos, mas só por um bem maior (cf. LG 46).

“O estado religioso manifesta já neste mundo, a todos os fiéis, a presença dos bens celestes;
dá testemunho da nova e eterna vida; prenuncia a ressurreição futura” (LG 44).

6. É sinal, testemunho. “Daí, segue-se que a profissão dos conselhos evangélicos é um sinal que pode e deve atrair eficazmente todos os membros da Igreja a cumprir com prontidão os deveres de sua vocação cristã”.

E, destarte, pertence indiscutivelmente à vida e à santidade da Igreja (LG 44).
Portanto, o que Rahner arvora em essência do estado religioso é, segundo o Concílio, somente conseqüência, um atributo secundário, derivado.

“É sinal que Deus existe e sinal que há uma outra vida no além” (Garrone).
É sinal-bandeira para ser imitado porque “todo o povo de Deus está no exílio. E como ignoramos dia e hora, é mister estarmos sempre vigilantes” (LG 48).

“Os religiosos, por seu estado, dão brilhante e exímio testemunho de que não é possível transfigurar o mundo e oferecê-Io a
Deus sem o espírito das “Bem-aventuranças” (LG 31).

A Igreja considera-se honrada com a prática da virgindade, do celibato, da pobreza, da obediência. E todos os fiéis devem “controlar seus afetos e conservar o espírito de pobreza, para não serem tolhidos na prática da caridade
perfeita, advertindo-nos o apóstolo (1Cor 7,31):

Os que usam deste mundo não se apeguem, porque a figura deste mundo passa” (LG 42).

O estado religioso contribui para a cidade terrestre; em nível superior, coopera “de um
modo mais profundo” (LG 46). O Concílio não quis dar uma definição formal, técnica, mas indicou todos os elementos que o compõem.

O elemento comum e básico de toda espiritualidade cristã é o amor de Deus. Santidade é perfeição da caridade.

O elemento específico é a prática dos conselhos
evangélicos, os quais removem obstáculos do exercício da caridade (LG 44) e purificam a alma (LG 46).

O Concílio recomenda sua prática também ao laicato, em espírito e afeto (LG 42).

E resume: “A santidade é uma só para todas as classes e estados… seguir Cristo pobre, humilde, carregando sua cruz” (LG 41).

E a admoestação final do Concílio: “Quem foi chamado por Deus, permaneça na sua vocação para maior glória de Deus e maior fruto da Igreja” (LG 47).

 Teologia das Realidades Celestes

 

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