Paulo VI

O magistério de Paulo VI ocupou-se repetidas vezes com a vida monástica consagrada. Alguns textos: “A vida religiosa é uma consagração peculiar que encontra suas raízes na consagração batismal e a exprime com maior plenitude” (Evangelica testificatio (29-6-
71) nº. 4).

“É doação total e irreversível” (nº. 7). “Tudo isto para dizer a que grau de renúncia compromete a prática da vida religiosa. Deveis experimentar em alguma medida o peso que atraiu Cristo para a cruz. Experimentar algo daquela loucura que São Paulo deseja a todos nós. Que a cruz seja para vós a prova do maior amor, como o foi para Cristo” (nº. 29).

Numa alocução, em 29-10-1970, o papa destaca o ideal monástico: “Vós tendes na Igreja um papel sem igual e insubstituível. A Igreja faz questão de destacar, em toda ocasião, a excelência do estado religioso. Hoje em dia, ela sente necessidade mais viva da presença da vida monástico-religiosa, porque ela cultiva certos valores superiores, que hoje estão desvalorizados: a oração, a virgindade, o espírito de sacrifício, a procura da santidade…; pelo trabalho de caridade e de apostolado; pelo exemplo que dais à Igreja e ao mundo inteiro.

A Igreja não seria o que é, e deve ser, sem vossa presença e sem vosso testemunho…
Deveis guardar exigente fidelidade a vossa vocação.

Essa vocação é o papel insubstituível que têm para vós a oração, a prece, a participação na liturgia.

Muitos leigos sabem impor-se, por Deus ou pelos seus, pesados sacrifícios. Como compreender que sejam dispensados disto aqueles que querem ser, a título especial,
as testemunhas daquele que nos chamou a seguir o caminho das bem-aventuranças?

Sim, dedicai-vos, em primeiro lugar, a seguir o Cristo casto, pobre, obediente; em viver para ele e para sua Igreja, na contemplação e no
amor apostólico”.

E, uma palavra do Papa, em defesa da vida contemplativa, em 2-1-1973: “Em nossa época, a intimidade com Deus permanece um objetivo capital, mas difícil. Foi lançada a suspeita contra Deus, foi qualificada de alienação
toda procura de Deus por Ele mesmo. Um mundo largamente secularizado, tende a cortar da sua fonte e da sua finalidade divina a existência e a atividade dos homens”.

“No entanto, a necessidade da prece contemplativa, desinteressada, gratuita, se faz sentir cada vez mais.

Mesmo o apostolado, em todos os seus níveis, deve arraigar-se na oração, deve apegar-se ao coração de Jesus, e não se dissolver numa atividade que de evangélica só conservaria o nome…”

“No exemplo de Sta. Teresinha, pela sua intercessão, queiram os leigos haurir o gosto pela vida interior, o dinamismo de uma caridade sem falhas, sem jamais separar
sua obra terrestre da realidade do céu.

No exemplo de Sta. Teresinha, os religiosos e religiosas sintam-se reafirmados na sua doação total ao Senhor. Os sacerdotes, peIos quais ela rezou tanto, compreendam a beleza do seu ministério a serviço do amor do Senhor.

E os jovens, cuja generosidade ou cuja fé hesita hoje em dia diante de uma consagração absoluta e definitiva, descubram a possibilidade e o preço sem igual de uma tal
vocação… Ela não se arrependeu de ter-se entregue ao Amor… A Igreja necessita, antes de tudo o mais, de santidade”.
(Mensagem pelo centenário de Sta. Teresinha).

Sto. Tomás

A título de ilustração, alguns apontamentos de Sto.Tomás na sua teologia do estado religioso. Constatamos perfeita concordância entre sua doutrina e a do Vaticano

II. O Concílio parte da base mais profunda e ontológica da vida religiosa, isto é, do batismo e de nossa incorporação no Cristo místico. Sto. Tomás parte do conceito dinâmico da caridade.

“O estado religioso é um exercício pelo qual alguém se esforça por chegar à perfeição da caridade. Ora, são várias as obras de caridade a que o homem pode dedicar-se e há vários modos de exercê-Ias” (II II 188,1 ).

“O estado religioso é instituído principalmente para se alcançar a perfeição, por meio de certos exercícios que eliminam impedimentos da caridade perfeita” (II II 186,1).

E II II 186,7 enumera três elementos constituintes da vida monástica:
– É um exercício tendente à perfeição da caridade.

– É um exercício que dá tranqüilidade à alma, a respeito das preocupações externas.
– É, de certo modo, um holocausto pelo qual nos oferecemos totalmente a Deus, nós mesmos e tudo o que temos”.

Em Ad Gentiles (3,130) escreve o comentário: “Por ser impossível que o homem se ocupe intensivamente de assuntos diversos (a psicologia moderna concorda), a fim
de que a mente humana possa lançar-se com mais liberdade ao encontro de Deus, a lei divina estabeleceu conselhos pelos quais os homens são afastados das ocupações da vida presente, enquanto é possível, para não levar
uma vida terrena”.

Teologia das Realidades Celestes

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