Contemplação

Entre as várias modalidades do estado religioso, Sto.Tomás dá o primado espiritual à vida contemplativa. O termo sugere influência do platonismo grego. Mas só na aparência.

Basta tomar a contemplação no sentido (dinâmico)de oração mística, oração infusa e tudo calha bem.

Em II II 186,2, diz explicitamente que a própria perfeição da caridade é o fim do estado religioso…

“O estado religioso é uma disciplina, um exercício conducente à perfeição, à qual certos se esforçam por chegar, por meio de exercícios diversos: como o médico pode empregar remédios diversos para curar”.

A contemplação tomista é um ato de amor (II II 180,1).

Na terra é o amor que leva o primado, não a intuição da verdade; não a visão intelectual, como no platonismo e no neoplatonismo. A contemplação é, portanto, bem cristã.

Ainda em II II 24,9, ele diz sobre os graus da caridade:
“O terceiro grau consiste em dedicar-se principalmente a aderir a Deus e deleitar-se em Deus. Isto pertence aos perfeitos que desejam desprender-se e estar com Cristo”.

Amor central

O amor de Deus é central na vida religiosa. “Os demais mandamentos são dirigidos pelo preceito da caridade a remover todas as coisas que são contrárias à caridade, com as quais a caridade não pode coexistir” (II II
184,3).

“Todas as virtudes morais, como também as teologais são dirigidas ao amor de Deus e do próximo” (Quod 1. 4,24).

“Essa é a suprema perfeição, que a verdade divina não é somente completada, mas também amada” (II II 180,7). “Se alguém recusasse amar mais a Deus, não cumpriria o que exige a caridade” (In Hb 6,1).

“O estado religioso visa alcançar a perfeição da caridade, à qual pertence em primeiro lugar o amor de Deus, e em segundo lugar o amor ao próximo.

Por esta razão os religiosos devem empenhar-se de um modo precípuo, por dever de estado, a viver para Deus. Se alguma necessidade agravar o próximo, então devem, por caridade, tratar dos negócios dele” (II II 187,2).

“Os conselhos evangélicos visam os mandamentos.
Não que os mandamentos não possam ser observados sem os conselhos evangélicos, seja em relação aos atos internos, seja em relação aos atos externos…

Mas porque, pelos conselhos, se chega à observância perfeita dos mandamentos de um modo mais fácil e mais expedito”
(Quod. 1. 4,24).

Teologia das Realidades Celestes

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