Amor ao próximo

Nosso Senhor disse a Sta. Gertrudes: “Tudo quanto se faz na Igreja é meu” (Leg. 5,1). Todos os bens espirituais, no corpo místico, são intercomunicáveis.

Se a contribuição dos fiéis é larga e generosa, o reino estará em flor, em primavera perene; e o contrário, se o sal da terra se tornar insosso.

Como o Salvador foi vítima de expiação (Mt 20,28) pela vida do mundo (Jo 6,51), assim seus discípulos também sejam “entregues” (Lc 22,19) e o sangue (de seu coração) “seja derramado em união com o Mestre por
muitos”.

Para Mateus, o sofrer sob diversas formas, como ficar separado das pessoas mais caras, ser perseguido, carregar sua cruz, ser entregue à morte, pertence ao destino do discípulo. Não será melhor do que a de seu Mestre.
“Mas não temais”… (SCHMID, Bíblia de Ratisbona, Barcelona, 1967).

As renúncias dos conselhos, da via escatológica,têm pois um sentido redentor, expiatório. Não são apenas instrumentos ascéticos de liberação espiritual e de desembaraço para o serviço de Deus.

São participações na obra salvadora de Cristo, complementos de sua paixão como diz em Cl 1,24.

Doa para doar: é o preço do resgate de muitos.

A via escatológica é cooperação na obra escatológica da salvação.
É nossa oferta pela conversão dos pecadores.

Quanto maior a generosidade do povo de Deus, tanto maior o número de resgatados. “Somos cooperadores de Deus” (1Cor 3,9).

Escreveu Lacordaire: “A vida religiosa é uma doação para salvar almas”.

E São João Eudes: “A graça do batismo
é uma graça de martírio”. A vida religiosa é, pois, uma associação de almas vítimas, fundada pelo próprio Jesus Cristo, que ele quer ter como colaboradoras na sua obra de salvação do mundo.

São co-redentoras. E seu lugar está na galeria das vítimas.

Paulo VI diz aos religiosos: “A vida religiosa tem um aspecto austero, um aspecto ascético”. Eis que abandonamos tudo, afirmou São Pedro. E Rm 12,1 admoestanos:
“Não vos conformeis com o mundo”… Os fundadores das ordens trouxeram sangue novo, novo vigor, novo rigor e constrangimento aceito livremente e até desejado… hoje
há a tendência de introduzir as facilidades do mundo, isto é um erro (AAS 1973, 661).

“Cristo vos chamou para a perfeição,e portanto, para carregar a sua cruz” (AAS
1973, 333).

Devem ecoar em nossas mentes as palavras de Pio XII em sua encíclica Mystici Corporis, 1934: “Temos de aceitar como um fato, embora nos pareça estranho que Cristo precisa de nós… o Redentor quer ser auxiliado na execução da obra da salvação pelos membros de seu
Corpo místico… É um mistério pavoroso que jamais meditamos bastante, que a salvação de muitos depende das orações e das mortificações voluntárias, ofertas pelos membros do corpo místico”.

E conclui o Papa: “Se hoje em dia, ainda muitos se desviam da verdade católica e não atendem ao convite da graça, isto acontece não só porque eles não rezam o bastante,
mas também porque os fiéis cristãos não oferecem preces mais fervorosas a Deus por esta causa”.

Por isto o mesmo Papa convocou o mundo cristão para um cruzada mundial de expiação (1.6.1944).

Todos que pertencemos ao corpo místico, somos responsáveis pela salvação dos demais membros do corpo místico.

A mesma advertência já foi feita por Nossa Senhora de Fátima, na sua aparição de 15 de agosto de 1917:
“Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique e peça por elas”.

Por que se perdem tantas almas? Se a redenção de Cristo na cruz foi de um valor infinito?

Jesus responde:
“Porque as almas piedosas não me ajudam, não se associam ao meu sofrimento na cruz; não rezam bastante com fervor pela conversão dos pecadores, e não fazem sacrifícios.”

Ainda uma palavra triste de Jesus, uma queixa amarga do Salvador que sofreu um excesso de dores, de torturas o máximo, sofrimento que uma criatura jamais padeceu: “Se eu vejo tantas almas caírem no inferno, é sem dúvida que elas querem, mas é também por causa
do abuso das minhas graças que as almas consagradas cometem…

Reza e suplica ao meu Pai celeste que santifique todas as almas consagradas… Meu coração ama a
cada alma ao infinito.

Minha esposa, escuta, escuta: se as almas consagradas não me recusassem nada, se elas me deixassem agir e dispor livremente sobre elas, todas as outras almas se salvariam; sim, as almas seriam salvas” (MARIE STE.
CÉCILE, Cantique d’amour, p. 244).

 Teologia das Realidades Celestes

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