BASE BIBLICA

Esta estrutura espiritual de vida religiosa-monástica é da origem da fé. É de Jesus Cristo.

O Concílio Vaticano II repete esta afirmação com certa insistência. Apresenta Jesus como primeiro religioso (LG 41). Jesus deu aos
seus discípulos este modo de viver, como norma de vida.

Exigiu deles viver como ele, em pobreza, na castidade e na obediência.
A conferir LG 41 e 44: “Uma forma de vida que o Filho de Deus assumiu para si e… que propôs também para os discípulos que o acompanhavam.”

De modo que Jesus fundou, com seus apóstolos e discípulos, um convento; convento itinerante, pobre, sem ter nada como próprio, nem mesmo uma pedra onde descansar a cabeça de noite.

E os discípulos praticaram os três conselhos evangélicos de tal modo que, até o século nono, vida apostólica significava vida monástica e religiosa.
A Antiga Aliança preparava o futuro. Teve seus homens carismáticos. Além dos profetas havia os nazireus, com seu voto de abstinência de tudo quanto se origina da videira, fermentado ou não, e voto de abster-se do uso da
navalha.

Voto limitado a alguns anos, ou voto perpétuo
(Nm 6,1-6). As histórias de Noé, de Lot e a experiência cotidiana marcaram vinho e bebida alcoólica como matéria de voto.

Os recabitas (Jr 35,6) prometeram o retorno à
vida no deserto: vida nômade, sem casa de pedra e sem vinho; retorno às fontes. O cabelo deve ficar intacto e íntegro como em Gn 49,26 e em Dt 33,16.

Nasir foi Samuel, Sansão, o Batista. Temporariamente também, São Paulo (Atos 18,18).

Os Essênios fundam conventos de vida comunitária.
Assim, o famoso Qumran, mosteiro descoberto em 1949.
O Batista fez talvez com eles um estágio de aprendizagem.
Quanto ao N.T., é preciso distinguir no grupo dos apóstolos o duplo aspecto institucional e existencial. “Pelo aspecto institucional, os apóstolos são hierarcas do povo de Deus, com a função de ensinar, santificar e pastorear o
Povo de Israel. É o seu múnus sacramental e querigmático.

Quanto à sua vocação existencial, eles são chamados a viver como Jesus, estar com Ele, dando testemunho da plenitude da revelação… do reino… da opção total e radical por Jesus” (CODINA, 49).

A comunidade de Jerusalém é modelo e fundamento da vida monástica, desde os primórdios da literatura teológica
e espiritual.

A título de ilustração, uma anedota monástica: Velho amigo, amigo íntimo, príncipe da corte imperial de Constantinopla, depara-se com o abade Bessarion na sua solidão, revestido de andrajos, macilento, esquelético.

“És tu, Bessarion? Mas quem te fez isto? Quem te desmantelou assim?” O venerando abade retira do hábito um pequeno rolo de papiro, os santos Evangelhos: “Foi isto que me
despojou de tudo”.

Pobreza

A palavra de Jesus é nosso estilo de vida. Siga-me.
Jesus vivia pobre. Felicitou os pobres do reino. Falou: “Ai dos ricos”. Recordando, ele recomendou a todos que o quisessem seguir, vender tudo e transformar a riqueza em
esmolas (Lc 12,33; Mt 6,19).

Exigiu dos discípulos a renúncia de todos os bens materiais: “Nenhum de vós pode ser meu discípulo se não renunciar a tudo quanto possui” (Lc 14,33).

Recomendou ao jovem rico o mesmo caminho de perfeição. Esta perícope, presente nos três sinóticos (Mt 19; Mc 10; Lc. 18) e que deu e despertou vocação a Sto. Antão e a São Francisco, está sendo contestada em seu valor paradigmático.

Seria um caso pessoal, que não pode servir de norma geral (Schnackenburg, Menessier, Segasse).

Schnackenburg argumenta que para o jovem rico, em concreto, a pobreza era condição de salvação eterna por sua situação pessoal, por uma inclinação inata à avareza, pois a palavra de Jesus “se queres ser perfeito…” não pode ser expressão de um conselho livre a ser se627
guido ou recusado.

Pouco antes, ocorre a mesma expressão:
“Se queres entrar na vida eterna…”. Ora, entrar
na vida eterna não está à nossa livre escolha; é dever, é preceito. Portanto, a perfeita pobreza do moço rico era de preceito.

Respondemos que o silogismo não conclui, porque a vida eterna no céu fica de fato à livre escolha da liberdade humana. Quem não quiser, esteja a gosto. Deus não força
dissidentes…

 Teologia das Realidades Celestes