SÓ DEUS É CAPAZ DE SACIAR TEU CORAÇÃO SEDENTO DE AMOR

Vozes pagãs

Kant é de parecer que nenhum homem teria vontade de recomeçar a tragédia da vida. Vida que é segundo ele “período de provação, no qual a maior parte dos homens sucumbe, e em que também, o melhor, não acha satisfação”.

Schopenhauer naturalmente, como filósofo do pessimismo,carrega mais as tintas: “A vida é uma desgraça.

Não dá o que promete. É uma fraude praticada a varejo e por atacado. É um negócio que não rende pelas despesas…

O homem é destinado a ser miserável e disto não passa”.

Heine: “O mundo, que tal? Hospício ou hospital” (cf.ROHDEN 98,101)

Goethe vivia na maior abastança e, coisa rara para poetas, glorificado já em vida, por todos. Escreveu na velhice:“A opinião geral faz de mim um homem favorecido pela sorte. Não quero me queixar… Mas podem ficar tranqüilos:não fui feliz. Somando todas as horas realmente felizes da minha existência de setenta e cinco anos, dá mal e mal um mês. Havia sempre uma pedra a rolar morro abaixo. E era preciso recomeçar cada vez de novo”.

Palavras patéticas escreveu Nietzche. Revelam gritos de desespero de uma alma sedenta de amor, de uma alma sedenta de felicidade, mas torturada pelo desespero da ausência de Deus: “Sim, conheço minha origem. Sou filho da chama. Insaciável como a chama, a arder e devorar-me”. “Toda a bondade, toda a beleza e toda a felicidade da criatura é efêmera, é perecível, passa e sucumbe ao correr do tempo e, todavia, todo prazer quer ser eterno, quer vida eterna”.

Comovente é a sua nostalgia de Deus: “Os corvos grasnam, rumando à cidade. Logo vai nevar, vai estender o inverno seu lençol branco e frito. Ai de quem não tem mais lar”. Apostrofando o ateu: “Reflete, tu nunca mais irás rezar. Nunca mais irás adorar. Nunca mais irás descansar um aconchego perfeito. Para ti não há mais refúgio ou asilo onde buscar consolo e conforto. Ó homem de renúncia, queres mesmo renunciar a tudo isto? Quem te dará a força que até agora ninguém teve?”

De uma poesia (Ariadne): “Tocam os sinos plangentes da saudade ó, volta, retorna, Deus desconhecido; Tu, minha dor, minha felicidade suprema”.

 

Vozes Cristãs

Escreve o místico medieval: “Ai, quanta alma nobre,quanto coração generoso, quanta figura formosa que em tua companhia divina criam ser princesas, rainhas e imperatrizes,poderosas e potentes nos reinos do céu e da terra,se embaraçam e rebaixam nos liames de criatura terrena.

Ai delas, que se arruínam assim… Tudo quanto teu coração deseja, encontras em Deus, em plenitude infinita.

Desejas amor, carinho, luz, verdade, conforto e consolo?

Tudo isto encontras e Deus, em abundância, sem limites,sem medida. Desejas beleza? Ele é o mais belo. Desejas riqueza? Ele é o mais rico, no céu e na terra. Desejas poder?

Ele é o mais poderoso, de sol a sol, do oriente até o ocidente. enfim, tudo quanto teu coração possa desejar encontrarás mil vezes nele, no bem supremo, Deus” (Denifle)

 

Imagem de Deus

“Tua alma, ó homem, é uma maravilha, um milagre”,escreveu o místico medieval Henrique Suso. “Como Deus é imenso em dar, assim alma, é imensa, insaciável em receber”.

Teu espírito alimenta-se de luz, com a luz da verdade.

Não se contenta só com uma estreita fresta de luz,talvez só com a luz do luar; ele quer toda a verdade de vez.

Teu coração deseja amor, amar e ser amado. Sem limites. Por todo o sempre. Somente Deus é capaz de saciá-lo.

Assim, como Deus é infinitamente bom, justo e santo,assim tua alma é um desejo infinito de ser boa, justa e santa. Tua alma é centelha da divindade, e a terra toda é pequena demais para satisfazer-lhe o anseio. Todas as criaturas juntas não são capazes de compreender o Deus infinito. Todas as criaturas juntas não são capazes de encher de bem-estar a tua alma. Uma gota de orvalho não faz transbordar o oceano. Todos os prazeres que a terra te pode oferecer não são capazes de encher de felicidade tua alma.

Extraído do livro do Padre João Beting Teologia das Realidades Celestes