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Cardeal Timothy Dolan cai na armadilha

Jorge Soley – 19 março 2014 – religionenlibertad.com

A situação não é nada original: um personagem “midiático” revela sua homossexualidade. Neste caso um jogador de futebol americano. A verdade é que a mim me ocorreu pouco mais que comentar.

Em seguida vemos parte de uma entrevista com um bispo católico, neste caso o Cardeal Timothy Dolan de Nova York e perguntam sua opinião sobre um assunto, não sem antes fazer referência àquelas palavras do Papa, “ quem sou eu para julgar?”. A armadilha está feita e não é fácil sair bem de uma conjuntura como esta.

A resposta de Dolan foi como segue:

“Bem para ele, eu não posso julgá-lo. Deus o abençoe. Não sei, veja, a mesma Bíblia que nos ensina as virtudes da castidade e da fidelidade e o matrimônio, também nos diz que não julguemos as pessoas. Então eu diria: “Bravo””.

Bom, o cardeal Timothy Dolan, tão inspirado e espirituoso normalmente quando improvisa, esta vez não foi muito bem. Começando porque a verdadeira valentia, hoje em dia, aquela que merece um reconhecimento porque supõe um risco real de exclusão, é se mostrar contrário em público ao homossexualismo político.

Mas além deste matiz, gostei do comentário de Dwight Longenecker a respeito. Parece-me que é esclarecedor e que poderia servir para que Dolan e outros bispos preparem uma resposta coerente diante da perguntinha ardilosa, que tarde ou cedo terão que responder. Ganharíamos muito se deixassem de improvisar.

Padre  Dwight Longenecker

Afirma Longenecker que tanto o Papa como o cardeal Dolan tem razão: “Não julgamos as pessoas. É Deus quem o faz”. Isso está claro. E segue: “Não obstante, esse “ quem sou eu para julgar” é um dos gritos de guerra daqueles que negam a existência de uma moral objetiva, dos relativistas. […] Por isso, quando um líder religioso se pergunta “ quem sou eu para julgar?”, pode estar teologicamente certo, mas estar pastoralmente equivocado”.

E aqui vem a proposta do autor: “ Tão difícil foi responder, em seu acostumado modo robusto e jovial, “Eu não julgo Michael Sam. Não sei qual é o estado de sua alma imortal. Não sei qual é o estado de sua vida amorosa. Desejo-lhe o melhor. Não obstante, posso dizer que atos homossexuais são intrinsecamente desordenados. Vão contra a natureza. Também posso emitir juízos sobre suas consequências. Existe um risco mais alto de enfermidade e problemas de saúde entre aqueles que são homossexuais ativos, e em especial entre aqueles que são promíscuos. Não julgamos nenhuma pessoa em particular, mas podemos emitir juízos morais sobre ações concretas e suas possíveis consequências”.

Parece-me bastante mais claro e orientador que a improvisação acabada em “Bravo!” do cardeal. Creio, também, que as pessoas normais entenderiam. Outra questão são os militantes homossexualistas, que não pretendem entender nada, mas atacar a Igreja, que veem como um obstáculo para suas aspirações. E que, por certo, ao definir uma pessoa exclusivamente por suas escolhas sexuais, nos empobrece a todos, incluídos também os homossexuais.

Em qualquer caso, bispos do mundo, preparem uma boa resposta. Não se fiem em sua reação de improviso. Todos (os católicos, entendem) agradeceremos.
Jorge Soley Climent é um quarentão de Barcelona, felizmente casado e pai de seis filhos. Apaixonado pela leitura, história e o futebol humilde e autêntico, sua profissão de economista lhe impõe o agradável dever de viajar com frequência à América hispânica. Está convencido de que ser católico significa ser universal, de que o razoável é a fé e de que a Igreja, apesar do empenho que põem os homens para enfeiar seu rosto, é Mãe e Tesouro de critério seguro.

Jorge Soley, jorgesoley@yahoo.com, é autor, editor e responsável pelo Blog ‘Mientras el mundo gira’, alojado no espaço da web de http://www.religionenlibertad.com

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