Conversões ao catolicismo

São numerosas, segundo as estatísticas, as conversões que cada ano se registram na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na Holanda cresce o número de católicos que estão admiravelmente organizados.

Os apóstolos que conseguem estas conversões não são todos conhecidos nem são todos populares.

Um deles trabalhou nos Estados Unidos.

Monsenhor Fulton J. Sheen conseguiu com seu zelo apostólico conduzir ao seio da Igreja Católica muitos incrédulos e hereges dos Estados Unidos.

Mons. Fulton Sheen era um sacerdote católico de Nova York em cuja catedral de São Patrício pregava com grande êxito em cursos numerosíssimos. Tinha quatro doutorados e era decano da faculdade de Filosofia da universidade católica de Washington. Era generoso e dadivoso, e sua jornada de trabalho durava 18 horas.

Quando seus amigos lhe recomendavam que cuidasse de sua saúde sabia responder: «Deus devolve com acréscimo tudo o que se dá no tempo, forças ou dinheiro».
No púlpito, em reuniões e nas conversas particulares punha grande empenho para que chegasse às inteligências a luz da fé e se convertessem os corações para Deus. Em um só dia de um ano batizou 43 homens.

Os meios de que para isso se valia nos refere ele mesmo citando casos concretos. Para amostra vão uns poucos.

Ao sair um dia de seu estúdio depois de ter falado no rádio, apresentou-se a ele um cavaleiro dizendo:
—«Sou um ateu; o que pode você fazer comigo?»
—«Uma coisa muito simples: uma aposta.»
— « O que você aposta?»
—«Aposto dez centavos que você não me dará três boas razões de seu ateísmo.»

Ganhou Mons. Fulton Sheen a aposta; pois o ateu não pôde dar o ateu três boas razões em defesa de sua atitude. E com a aposta ganhou uma alma; a alma daquele jovem que, tendo meditado serenamente, entrou no final de um ano no seio da Igreja Católica.

Recém ordenado como presbítero visitou um fiel, e notou ao entrar em sua casa, que uma mulher se retirava com demonstrações de desgosto.
—«É minha nora, disse a dona da casa; ela não quer receber visitas de sacerdotes.»
— «Não importa, disse o padre Fulton Sheen, faremos dela a primeira convertida desta fregresia.»

Começou a rezar por ela a cada dia na missa. No final de um ano rezando diariamente, foi buscá-la e a encontrou de cama gravemente enferma com tuberculose. Disseram-lhe que lhe restavam somente algumas semanas de vida.

—«Pois, precisamos aproveitar o tempo. Começaremos pela instrução religiosa.» E começou uma série de lições explicando as verdades da fé e os princípios da moral. A morte não veio no prazo fixado. Ainda não tinha terminado a instrução religiosa, quando a mulher entrou em franca convalescência e se levantou da cama.

Hoje, passados 25 anos, vive ainda e pratica a religião católica.

Ao terminar uma conferência se aproximou uma jovenzinha e lhe disse:
—«Toda sua religião é pura hipocrisia. Vocês rezam todo dia as mesmas orações, e acabam por dizê-las sem ter significado algum.»
Monsenhor olhou por cima da garota para o homem que estava ao seu lado.
—« Quem é esse?», perguntou.
—«É meu noivo», disse a garota contrariada.
—«Ele disse hoje a você que a quer?»
—«Sim, disse ela. E isso o que tem a ver?»
—«E se disse também na semana passada e na anterior?
—«Sim».
— «Pois isso não significa nada, disse o monsenhor. É pura hipocrisia, porque repete sempre a mesma palavra…»

A garota ficou pensativa, e hoje se converteu à Igreja Católica.

Como prova de que é a graça que opera as conversões das almas e não sua habilidade natural nem sua eloquência, se compraz o Monsenhor em repetir uma história do tempo de sua juventude em que esteve em Paris para completar seus estudos. Conheceu ali uma francesa cuja família estava arruinada e afastada das práticas religiosas.

Ela, que não acreditava em Deus, tinha resolvido se suicidar. O Padre Sheen não via nenhum motivo para que ela tirasse a vida, e limitou-se então a dizer: «Não se suicide hoje. Espere só nove dias». Aceitou ela, e durante oito noites consecutivas o jovem sacerdote lhe falou da religião.

Ela não falava o inglês e o Pe. Sheen tinha tanta dificuldade em falar francês que só com o dicionário nas mãos conseguia acabar de expressar seu pensamento. Era impossível nestas circunstâncias valer-se dos recursos da oratória.

O Pe. Sheen serviu-se da oração como único recurso, e aos nove dias, sem pensar mais em se suicidar nem agora nem nunca, entrava aquela regenerada mulher na Igreja Católica.
Em suas locuções irradiadas no mês de janeiro, tratou sobre o comunismo e a Rússia.

Várias vezes advertiu seu público que a solução do comunismo não pode se encontrar na guerra contra a Rússia, mas nas perseverantes orações do mundo católico implorando a Deus a conversão do povo russo.

Pode-se considerar a oração como uma arma prática contra as ideias e propagandas comunistas? Monsenhor Sheen acreditava que sim, e teve experiência disso. Um destacado comunista, Louis Budenz, escreveu em um jornal de seu partido que podiam conciliar-se o comunismo e o catolicismo.

No dia seguinte, monsenhor Sheen o convidou para almoçar com ele, e, sentados à mesa, lhe disse:
—«Você sabe que está equivocado? O comunismo não pode conciliar com a Igreja Católica devido ao artigo 124 da Constituição comunista.»
—« Que artigo 124?», disse Budenz grandemente surpreendido.
—«Não peço que discutamos aqui a Constituição comunista, disse o monsenhor. O que eu quero é falar da Santíssima Virgem»; e durante quase duas horas esteve explicando o que ensina a Igreja sobre a Mãe de Deus. Rezou muito pelo comunista e este acabou por se converter.

«Se as orações atraíram um comunista à Igreja Católica, por que, disse o Pe. Sheen, não poderão atrair todos os comunistas?». E acrescentou:

«A única fórmula para resolver a crise em que nos achamos é uma fórmula espiritual; porque não é o problema que conservemos nossas coisas, mas que conservemos nossas almas. Roguemos todos pela conversão, da Rússia. Fiquem seguros de que a oração é o meio mais útil e eficaz para ajudar o mundo de hoje.»
Assim disse o zeloso sacerdote de Nova York

http://www.ofmval.org/40aa/50/2/283/05predi.php