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Os corpos não foram atirados, nem escondidos nem enlameados

La historiadora que investiga los bebés muertos en Tuam dice que la prensa distorsionó sus hallazgos

A historiadora que investiga os bebês mortos em Tuam, Irlanda, disse que a imprensa distorceu suas descobertas

Catherine Corless foi recolhendo os nomes das crianças falecidas em anos de grande pobreza e quer um monumento que recolha esses nomes

Jordi Picazo / ReL- 11 junho 2014-religionenlibertad.com

Brendan O’ Neill, editor da revista Spiked (www.spiked-online.com, de tendência humanista de esquerda libertária), referindo-se às notícias sobre a antiga fossa séptica com cadáveres de bebês achada no terreno de uma antiga instituição de religiosas em Tuam, Irlanda, o dá como uma prova más de que ‘A lie will go round the world while truth is pulling its boots on’ (“de uma mentira sempre fica algo”) ou mais exatamente “Uma mentira dará a volta ao mundo antes que a Verdade acabe de calçar as botas”.

O’ Neill justifica a bola de neve midiática criada pelo escândalo sobre os supostos fatos que rodeiam este achado culpando a “cortesia dos meios de comunicação da era moderna, mais ávidos de oferecer morbidez aos leitores com sangue e pornografia” (o autor utiliza o termo técnico de “pornosangue”, que se refere à fusão destes dois conceitos) que de oferecer-nos os dados tal qual são, e ao que ele chama “demagogia da turba tuiteira à caça sem trégua das coisas que provoquem uma ira ostentosa, como a história dos bebês lançados em uma velha fossa séptica fora de uso pelas freiras que dirigiam o Lar para “mulheres pecadoras” em Tuam, Galway, sacudindo com sua onda expansiva o esconderijo mais recôndito do planeta”.

Tão só uns dias depois, tendo-se a Verdade já calçado as botas, se oferece uma visão mais sóbria.

A historiadora manipulada
Menciona O’ Neill que a historiadora Catherine Corless tinha estado dando voltas a este assunto do lar de Tuam durante anos antes de publicar uma entrada no Facebook com dados de seus estudos sobre os fatos de Tuam.

O’ Neill afirma que a imprensa internacional sentiu esse “aroma” que desprendiam as explicações de Corless e o converteu em carne de pesadelo.

De fato, em distintos meios de comunicação Catherine Corless declarou estes dias que “eu nunca utilizei a palavra atirados [“dumped”, lançados com ruído, também com o significado de jogados fora, como o lixo se atira ao cesto].

“Eu somente queria que essas crianças fossem recordadas e que seus nomes figurassem em uma lápide. Essa foi a razão pela qual iniciei este projeto e agora tem cobrado vida por si só”, acrescenta a historiadora local, que conhece os nomes das crianças defuntas porque eram diligentemente registradas com seu nome no Registro Civil ao falecer, sem segredo algum.

 

Catherine Corless investigou os nomes dos bebês no Registro Civil… faltam os corpos, mas não há provas de que fossem tratados de forma desrespeitosa.

Títulos exagerados e incorretos
Entretanto, os títulos na imprensa anglo-saxã foi assim:

-‘Encontrados os corpos de 800 bebês em uma fossa séptica em um antigo lar irlandês para mães solteiras. Estavam há longo tempo mortos” – Washington Post;

– ‘800 esqueletos de bebês achados em uma fossa em um antigo lar irlandês para mães solteiras” – New York Daily News;

– ‘Historiadora de Galway descobre 800 bebês em uma fossa séptica convertida em túmulo” – Boston Globe;

– ‘Encontraram os corpos de 800 bebês na fossa séptica de um antigo lar para mães solteiras na Irlanda” – Buzzfeed.

Entre as reações a estes títulos O’ Neill menciona com surpresa que inclusive em blogs e as “hordas” do Twitter falaram do assassinato de 800 crianças por parte dessas freiras e que pediu à ONU que investigue os crimes contra a humanidade cometidos em Tuam.

A historiadora Corless agora luta por fazer saber que sua investigação foi amplamente mal interpretada, como declarou ao Irish Times no sábado passado.

Suas descobertas “foram apresentadas muito distorcidas” pelos meios de comunicação.

Dados que não enquadram
O Irish Times vê materialmente impossível que 800 cadáveres de crianças -ninguém os viu, Catherine Corless só viu listas de bebês defuntos apontadas no Registro Civil- foram depositados nessa fossa séptica convertida em cripta.

O jornal explica que a fossa séptica se utilizou como tal durante 12 anos depois da fundação do Lar. São 12 anos em que se registraram minuciosamente no Registro Civil a muerte de 204 crianças -não 800- por diversas causas naturais e de enfermidade.

No caso de querer eliminar as crianças como grosseiramente se sugeriu, seriam loucos em registrá-los publicamente no Registro Civil ( que ladrão chama a polícia antes de perpetrar o roubo?).

O Irish Times também achou simplesmente difícil crer que fosse possível colocar inclusive 200 cadáveres em uma fossa séptica ao longo de 12 anos.

O menino que encontrou cadáveres
Por outro lado, o Irish Times entrevistou um dos homens que em 1975 tinha 10 anos e que junto com um amigo descobriu a cripta que um dia tinha sido uma fossa séptica. O cidadão admite que de nenhuma maneira havia 800 esqueletos no buraco. Nem nenhum número que se aproximasse. No mais, estima que poderia ter uns 20.

E é a única testemunha ocular deste acontecido que pode apontar dados sobre os que se baseiam numa conjectura.

Quatro conclusões
O’ Neill, em sua revista Spiked, herdeira desde 2000 da encerrada revista “Living Marxim” e nada suspeita de proselitismo católico, estabelece algumas conclusões necessárias:

1. É falso que se tenham encontrado 800 corpos de crianças em Tuam; não se fez nenhuma excavação, não se fez nenhuma recontagem de cadáveres.

2. É falso que as crianças foram “atirados” no fundo de um recipiente ou tanque, segundo admite a mesma senhora Corless, que compungida apareceu em um vídeo dando explicações;

3. É falso que os corpos das crianças se mesclaram com águas negras.

4. Outras vezes a imprensa tergiversou os fatos quando se tratava da história católica da Irlanda. O caso de Tuam recordou o das lavanderias de ‘La Magdalena’, dirigidas por religiosas, do qual se fizeram filmes, livros e se escreveram numerosos artigos jornalísticos. Foi estudado pelo governo irlandês, que emitiu um informe exaustivo, o informe McAleese de 2013. Foi conclusivo ao mostrar que não havia tido nem um só caso de abuso sexual por parte das religiosas em toda a história das lavanderias.

[ReL recolheu a análise de O´Neill sobre estas lavanderias aqui].

O’ Neill fala de “manipulação das descobertas de Corless”, fala de uma cobertura midiática desde o fundo do abismo emocional.

Demagogia e matanças
Alguns comentaristas chegaram a comparar Tuam com as fossas comuns em lugares deixados da mão de Deus na Europa do leste e Rússia; o Irish Independent comparou o Lar de Tuam com o holocausto nazista, Ruanda e Sbrenica; O’ Neill explica que a manipulação do passado da Irlanda desde o porão da miséria humana que os historiadores irlandeses modernos e os “mais variados fustigadores do catolicismo” podem descer -em sua busca de material “sobre o que encontrar para seus preconceitos contemporâneos”-, nos conduz inevitavelmente a um “adelgaçamento da realidade”.

Surpreende-se O’ Neill de quantas de entre as recentes revelações do “jodido” (screwed-up, utilizado por O’ Neill; recordemos que seu jornal pode se permitir utilizar a linguagem em todas suas amplas possibilidades) passado da católica Irlanda resultaram ser falsas.

Renega O’ Neill em chamar isto jornalismo. Não é um desejo de saber, “mas uma miscelânea de preconceito anticatólico”, que converte este assunto na história pior coberta pelo jornalismo no ano de 2014.

Conforme recorda o governo irlandês, na primeira metade do século XX a pobreza estava amplamente estendida na Irlanda e a enfermidade era pouco menos que impossível de controlar nas áreas rurais. Esses problemas sen dúvida se acentuavam em lares incompetentemente geridos para mães solteiras e seus filhos ilegítimos. A mortalidade infantil era desesperadamente alta, “especialmente em instituições, onde a infecção se estendia rapidamente”.

Justificar as mentiras na imprensa
O´Neill recorda que em 2013, quando o informe McAleese desmontou boa parte das mentiras sobre as lavanderias da Magdalena, teve imprensa que justificou seus exageros dizendo que eram “mentiras brancas” necessárias para dar consciência ao público…

“Quantas mentiras brancas deveremos seguir contando antes de que se convertam em mentiras?”, se pergunta agora de novo O’ Neill neste editorial do Spiked.

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