ReligionenLibertad.com

Liberdade de expressão

Quem defende a liberdade para publicar caricaturas blasfemas está defendendo uma liberdade destrutiva que só leva à decadência e ao niilismo. O pensamento cristão nos ensina que a liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade.

Juan Manuel de Prada

15 janeiro 2015

Muitos leitores me têm expressado sua perplexidade diante da exaltação e defesa absoluta da liberdade de expressão que nestes dias se tem feito, inclusive desde meios de inspiração cristã ou declaradamente confessionais, para justificar as caricaturas do pasquim Charlie Hebdo nos quais se blasfemava contra Deus de modos aberrantes. Para estes leitores digo que não se deixem confundir: quem faz tais defesas não professa a religião católica, nem se inspira na filosofia cristã, mesmo que finja ser, aproveitando a consternação causada pelos vis assassinatos dos caricaturistas; mas são janízaros (corpo de soldados mercenários), criado no séc. XIV da “religião democrática”, perversão que consiste em substituir a sã defesa da democracia como forma de governo –que, mediante a representação política, facilita a participação popular no exercício do poder– pela defesa da democracia como fundamento de governo, como religião demente que subverte qualquer princípio moral, amparando-se em supostas maiorias, na realidade massas cretinizadas e sugestionadas pela repetição de sofismas.

Os janízaros desta religião necessitam que as massas cretinizadas aceitem como axiomas (proposições que parecem evidentes por si mesmas) seus sofismas, entre os que se encontram a chamada “liberdade de expressão” em sua versão absolutista. Para criar tais axiomas recorrem ao método antecipado por Aldous Huxley em ‘Um mundo feliz’, que consiste na repetição, por milhares ou milhões de vezes, de uma mesma afirmação. Na novela de Huxley, tal repetição se conseguia mediante um mecanismo repetitivo que falava sem interrupção no subconsciente, durante as horas de sono; em nossa época se consegue através da saturação mental conseguida através da bazófia que nos servem os ‘mass media’, infestados de janízaros da religião democrática que defendem uma liberdade de expressão absolutista: liberdade sem responsabilidade; liberdade para danar, injuriar, caluniar, ofender e blasfemar; liberdade para semear o ódio e estender a mentira entre as massas cretinizadas; liberdade para condicionar os espíritos e incliná-los ao mal. Quem defende esta “liberdade de expressão” como direito ilimitado são os mesmos que também defendem uma “liberdade de consciência” entendida não como liberdade para escolher moralmente e trabalhar com retidão, mas como liberdade para escolher as ideias mais perversas, as paixões mais torpes e as ambições mais egoístas e colocá-las em prática, pretendendo também que o Estado assegure sua realização. Não nos deixemos enganar: quem defende a liberdade para publicar caricaturas blasfemas está defendendo uma liberdade destrutiva que só leva à decadência e ao niilismo.

O pensamento cristão nos ensina que a liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade. Se na palavra liberdade não se acrescenta um “para que”, se converte em uma palavra sem sentido, uma palavra asquerosamente ambígua que pode amparar as maiores aberrações. Como dizia Castellani, “a liberdade não é um movimento, mas um poder mover-se; e no poder mover-se o que importa é o para onde, o para que”. Não pode haver uma liberdade para ofender, para levantar ódios, para suscitar baixas paixões; não pode haver liberdade para ultrajar a fé do próximo e blasfemar contra Deus. Os cristãos se distinguem porque rezam uma oração na qual se pede: «Santificado seja teu Nome». Os janízaros da liberdade de expressão querem que esse Nome seja eliminado, envilecido e escarnecido, para maior honra de sua religião democrática. Não lhes façam caso: se vistam com terno e gravata, ou com batina e solidéu, lhes estão enganando, querem converter-lhes em massa cretinizada.

Artigo publicado no ABC.

Gostou desse artigo? Comente-o com seus amigos e conhecidos:

http://religionenlibertad.com/libertad-de-expresion-39932.htm