Mario-Palmaro-und-Papst-Franziskus-300x207

O Papa recebe curiosa mensagem em seu próprio jornal, o enigma de Mário Palmaro

RORATE CÆLI 8 outubro, 2015

Não existe nada que tenha mais sentido: Mário Palmaro, o grande escritor católico Tradicionalista, que morreu muito jovem em 2014, foi um exemplo para todos. Porém porque existe uma página inteira en homenagem à Mário Palmaro, uma aparente publicidade, na página 4 da edição de hoje (8 de outubro) do L’Osservatore Romano, justo em meio ao Sínodo? É o aniversário de nascimento ou de morte do defunto escritor? Não, não se trata disso: Palmaro nasceu em 5 de junho de 1968 e morreu em 9 de março de 2014. Po acaso se está publicando novamente algum de seus livros? Não precisamente. Inclusive a biografia que sobressai no suposto anúncio foi publicada há meses, em março de 2015.

Tal como explica o jornalista italiano, Sandro Magister (em Italiano), se trata do segundo aniversário do artigo “Não gosto deste Papa” (Questo papa non ci piace), que Palmaro e seu amigo Alessandro Gnocchi publicaram em Il Foglio em 2013, como parte de uma série de artigos que criticavam severamente o pontífice eleito desse ano, pela maneira que usava os meios de comunicação e da popularidade para impor mudanças na Igreja de uma maneira quase insidiosa (em sua opinião).

Pode um papa ser “querido” ou não? Em sua última entrevista, Palmaro explicou:

O fato de que um papa seja “querido” pelo povo é completamente irrelevante para a lógica dos dois mil anos de Igreja: o papa é o Vigário de Cristo na terra e tem que agradar a Nosso Senhor. Isto significa que o exercício de seu poder não é absoluto, mas que está subordinado ao ensinamento de Cristo que se encontra na Igreja Católica e em suas tradições, e é alimentada pela vida da Graça através dos Sacramentos.

Então, isto significa que o papa pode ser julgado e criticado pelo católico [comum], com a condição de fazê-lo sob a perspectiva do amor pela Verdade e utilizando a Tradição e o Magistério como critérios de referência. Um papa que contraz a um predecessor em assuntos de fé e de moral deve ser criticado sem lugar a dúvidas.

Devemos desconfiar tanto da lógica mundana onde se julga o papa com critérios democráticos que satisfazem a maioria, como da tentação de cair na “papolatria” pela qual “um papa sempre tem a razão.” E mais, já há algumas décadas nos acostumamos a criticar destrutivamente muitos papas do passado, exibindo pouca seriedade historiográfica; portanto, não vemos porque aos papas reinantes ou aos mais recentes tem que apagar-lhes qualquer tipo de crítica. Se Bonifácio VII ou Pio V são julgados, por que não julgar também Paulo VI ou a Francisco?

***

Qual é, então, a resposta ao enigma de tamanha imagem no próprio jornal do Papa, louvando Mário Palmaro, o defunto mais importante crítico do Papa, justo no meio das mais agitadas semanas de pontificado e enquanto avança este insólito Sínodo? Certamente é uma mensagem ao Papa e a muitos ao seu redor: Mário Palmaro, como relata a imagem, é um “GRANDE exemplo”, “para TODOS”. Há que amar o sentido italiano de mistério, ironia mordaz, e forte advertência: como disse Nosso Senhor, “Quem tenha ouvidos para ouvir, que ouça”.

http://www.adelantelafe.com/el-papa-recibe-curioso-mensaje-en-su-propio-periodico-el-enigma-de-mario-palmaro/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook